
domingo, 28 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
a gota salgada conquista o céu
Deixa-me respirar, pela última vez, o nevoeiro que paira aqui,
rasgar-me os lábios enquanto o frio se instala em mim.
Deixa-me guardar imagens com medo de te perder
nas vãs ruas que chamas tuas. Escrever o nome
nas pedras da calçada que piso, uma última vez.
Deixa-me navegar os últimos dias à mercês
do que disseram-me ser teu,
quero ouvir dizer que gostas dos sorrisos que são meus.
Parto sem noção de ir.
Quero conquistar o céu. Deixa-me incendiar o que não quero
abandonar,
numa ida sem volta, o céu vou conquistar.
O céu será meu.
Uma lágrima reinará nos céus
algures no reflexo do meu oceano,
levemente saberei sorrir
ao pressentir um novo ano.
Quando conquistar o céu...
não saberei como ir nem como voltar.
O subtil adeus saberá como regressar
algures numa saudade ansiosa de choro,
partir sorrindo discretamente sabendo que morro.
O céu será meu
explodindo o coração que dizem intacto,
meu, ao saber dissolver laços dados e re-dados
na garganta ao dizer adeus.
Meu, ao calor da última e única lágrima
ao avistar algo imenso com ele.
Meu.
Parto sem saber como ir,
na ansia de chegar a onde nunca quero partir.
O céu será meu, quando chegar
e souber partir,
aos lugares que quero conquistar
sempre a saber como me despedir.

Ela e os seus laços
'HÁ três remédios que ainda não foram inventados: o remédio para a estupidez, o remédio para a paciência e o remédio para cortar laços. Num mundo perfeito, as pessoas iam à farmácia e pediam uma caixa de comprimidos para o bom feitio, ou umas injecções para os neurónios. Quanto aos laços, não imagino outro objecto senão uma tesoura bem afiada para cumprir a missão.
Alguém devia inventar uma tesoura para cortar laços, sobretudo quando os laços já estão cheios de nós cegos e não há volta a dar. À falta de um objecto contundente que serviria para cortar o mal pela raiz, restam os procedimentos habituais; bater com a porta, deixar de telefonar, não atender chamadas, fazer exercícios de abstracção, em suma, fechar o coração.
FECHAR o coração é um exercício duríssimo para quem o tem. Não estou a falar dos já aqui citados donuts que alguns seres humanos escondem, nos quais as setas do Cupido se atravessam sem provocar a mais leve ferida, caindo no vazio do buraco negro de forma inconsequente. Estou a falar de pessoas com coração, que sabem dar e receber amor.
Quem deixa um grande amor para trás carrega grilhetas tão ou mais pesadas do que aquele que fica sentado, pregado na pedra do porto, como canta Chico Buarque. Bater com a porta requer coragem, concentração e muita força de vontade. É preciso saber desistir e hoje em dia ninguém gosta de desistir de nada, muito menos do amor, até porque o amor é um bem escasso que facilmente se confunde com entusiasmo, atracção física, tesão, paixão ou entendimento. Mas afinal o que é o amor, senão uma soma nada matemática que engloba todas estas sensações, sentimentos e estados?
HÁ algum tempo que desisti de definir o amor e passei a concentrar-me em entender onde reside o amor. Isto porque acredito que o amor em si não existe, o que existe são provas de amor. Logo, essas provas podem estar à vista de todos. E é por esta ordem de ideias que as pessoas ficam noivas, trocando promessas e anéis, e depois se casam, trocando mais promessas e mais anéis. As celebrações amorosas servem para selar o amor. Por outro lado, as rupturas amorosas não seguem preceitos nem rituais; cada um faz o melhor que sabe e aguenta-se como pode, engolindo a mágoa do conformismo, ou remando contra a maré.
Como escreveu Truman Capote – que por acaso jogava na equipa dos donuts – a morte de um sonho é tão triste e dolorosa como a própria morte, merece por isso o respeito e silêncio para com aqueles que a sofrem. Quando alguém desiste de um amor, está também a desistir de um sonho que já acalentou. E é muito difícil desistir. Abdicar de um amor dói, e essa dor dura, demora a partir. É como viver com uma pedra encostada à garganta.
QUEM quer mesmo desistir tem de conseguir cortar o mal pela raiz, antes que os laços se tornem nós à volta do pescoço e do coração. É preciso pegar na tesoura e zás, cortar sem dó nem piedade, e sobretudo sem olhar para trás, sob o risco de reviver o mito daqueles que, ao partir de Sodoma e de Gomorra, se transformaram em estátuas de sal.'
Alguém devia inventar uma tesoura para cortar laços, sobretudo quando os laços já estão cheios de nós cegos e não há volta a dar. À falta de um objecto contundente que serviria para cortar o mal pela raiz, restam os procedimentos habituais; bater com a porta, deixar de telefonar, não atender chamadas, fazer exercícios de abstracção, em suma, fechar o coração.
FECHAR o coração é um exercício duríssimo para quem o tem. Não estou a falar dos já aqui citados donuts que alguns seres humanos escondem, nos quais as setas do Cupido se atravessam sem provocar a mais leve ferida, caindo no vazio do buraco negro de forma inconsequente. Estou a falar de pessoas com coração, que sabem dar e receber amor.
Quem deixa um grande amor para trás carrega grilhetas tão ou mais pesadas do que aquele que fica sentado, pregado na pedra do porto, como canta Chico Buarque. Bater com a porta requer coragem, concentração e muita força de vontade. É preciso saber desistir e hoje em dia ninguém gosta de desistir de nada, muito menos do amor, até porque o amor é um bem escasso que facilmente se confunde com entusiasmo, atracção física, tesão, paixão ou entendimento. Mas afinal o que é o amor, senão uma soma nada matemática que engloba todas estas sensações, sentimentos e estados?
HÁ algum tempo que desisti de definir o amor e passei a concentrar-me em entender onde reside o amor. Isto porque acredito que o amor em si não existe, o que existe são provas de amor. Logo, essas provas podem estar à vista de todos. E é por esta ordem de ideias que as pessoas ficam noivas, trocando promessas e anéis, e depois se casam, trocando mais promessas e mais anéis. As celebrações amorosas servem para selar o amor. Por outro lado, as rupturas amorosas não seguem preceitos nem rituais; cada um faz o melhor que sabe e aguenta-se como pode, engolindo a mágoa do conformismo, ou remando contra a maré.
Como escreveu Truman Capote – que por acaso jogava na equipa dos donuts – a morte de um sonho é tão triste e dolorosa como a própria morte, merece por isso o respeito e silêncio para com aqueles que a sofrem. Quando alguém desiste de um amor, está também a desistir de um sonho que já acalentou. E é muito difícil desistir. Abdicar de um amor dói, e essa dor dura, demora a partir. É como viver com uma pedra encostada à garganta.
QUEM quer mesmo desistir tem de conseguir cortar o mal pela raiz, antes que os laços se tornem nós à volta do pescoço e do coração. É preciso pegar na tesoura e zás, cortar sem dó nem piedade, e sobretudo sem olhar para trás, sob o risco de reviver o mito daqueles que, ao partir de Sodoma e de Gomorra, se transformaram em estátuas de sal.'
Margarida Rebelo Pinto.
[ porque ela vive na palma da minha mão e sempre soube pescar em mim todos os sentimentos que não sei descrever. ]
o teu coração tem entrada de emergência?
'Levar com a porta na cara dói muito. Dói sempre, o dia inteiro, a todas as horas e a todos os minutos. Dói tanto que os segundos se podem tornar insuportáveis e os dias facilmente se transformam em epopeias, viagens trágico-marítimas. Dói de manhã, assim que regressamos do abençoado estado de inconsciência em que o sono nos guarda, quando olhamos para o lado e perguntamos: e agora? Dói quando olhamos para o espelho embaciado onde existem os fantasmas de frases de amor escritas com a ponta dos dedos. Dói quando nos lavamos, quando comemos, quando engolimos, quando respiramos, quando falamos, quando ouvimos, quando pensamos. Dói um bocadinho menos quando nos rimos, quando os amigos nos abraçam, quando a noite cai e os filhos nos protegem.
Mas o que mais dói é saber que alguém que ainda amamos, por medo e por sofrimento, nos fechou o coração. O som é igual ao de mil tambores em fúria: não vale a pena falar, não vale a pena escrever, não vale a pena tentar chegar ao outro lado, saltar o muro, enviar emissários, içar bandeiras, fazer cimeiras, apanhar aviões e levar na mão o nosso coração como presente porque ele já não o quer. Quando o outro coração se fecha, deixa de ser nosso. E quando um homem fica surdo do coração, como é muito mais prático do que uma mulher, em vez de chorar e lamber as feridas, oferece-o a outra mulher.'
Mas o que mais dói é saber que alguém que ainda amamos, por medo e por sofrimento, nos fechou o coração. O som é igual ao de mil tambores em fúria: não vale a pena falar, não vale a pena escrever, não vale a pena tentar chegar ao outro lado, saltar o muro, enviar emissários, içar bandeiras, fazer cimeiras, apanhar aviões e levar na mão o nosso coração como presente porque ele já não o quer. Quando o outro coração se fecha, deixa de ser nosso. E quando um homem fica surdo do coração, como é muito mais prático do que uma mulher, em vez de chorar e lamber as feridas, oferece-o a outra mulher.'
Margarida Rebelo Pinto
sábado, 6 de dezembro de 2008
Infinito Particular
Chegou com alguns anos de atraso, anos eternos sonhados. Ela, noites a fio, sentada na rede admirava a lua e todos os pontinhos cintilantes que a rodeavam, imaginava os seus traços, com o seu abraço, o toque. Sabia que tudo tinha o seu tempo, todos apressam o amor. Ela, ansiava preencher o coração, encher os pulmões de arrepios e as pernas de adrenalina. Com ela, todos os sonhos de amores antigos, de romantismo, de jantares e olhares cúmplices.
Um dia, acordou sentindo a intensidade do seu abraço e a pureza da sua pele, não sabia a cor que trazia ou os traços que a definiam. Apenas o abraço.
Os dias passaram, as luas renovaram e estrelas morreram. Triste, numa lágrima só, deixou de a procurar. Deixou a vida escolher o tempo certo e sonhar de olhos abertos.
Estava sol, naquele dia. O céu de um azul cristalino e o mar convidativo, levou-a a passear. Mal ergueu o olhar, o coração em jeito de arritmia, fingiu falhar. Estranho. Algo muito estranho. As pernas não flectiam ao andar, o olhar era fixo e a respiração alterada. A sua luz transmitia pensamentos estranhos e por momentos não soube lidar com os mesmos. Lembrou-se de sorrir ao cruzar os seus olhos nos dela. Sorriu timidamente, em jeito de 'gostei de te ver'. Devagar, esqueceu-se do tempo quente que a rodeiava, ficou com o corpo frio e os olhos tão brilhantes quanto quem a prendeu.
Insegura, levou a alma até a fonte e deixou-se encantar com a voz, o olhar e o sorriso de quem, de pedra e cal, preencheu o seu coração já surdo de tanto a procurar.
Contemplou o Mundo com o sorriso-que-é-só-dentes e deixou-se levar nas asas do amor. Gostava de ouvi-la todas as noites, do seu calor em dias de chuva, de correr para o seu abraço, das histórias diárias, dos problemas resolvidos a dois, das palhaçadas, do seu olhar confuso e da mão certa. Não sabiam que o oxigénio existia longe uma da outra. Os cadernos eram preenchidos de miniaturas de corações fielmente perfurados de setas e os pensamentos repletos de imagens, de cronómetros, ansiedade. Passaram-se meses e meses. Horas eternas.
Não sabiam definir o que sentiam, apenas que a gravidade alterava-se quando as mãos estavam dadas e eram capazes de voar, de flutuar por tudo o que as rodeava.
Passados outros dias, tinham um muro que as separava. O muro era alto e impossível de saltar. Olhavam as duas para a Lua, e num só sussuro, treparam o muro com toda a força que tinham.
Braços arranhados, pernas cortadas. E no encontro, o olhar era diferente, a respiração oscilava e quando encostou a mão na sua cara com a maior delicadeza do Mundo, nela uma lágrima deslizou e disse :

Um dia, acordou sentindo a intensidade do seu abraço e a pureza da sua pele, não sabia a cor que trazia ou os traços que a definiam. Apenas o abraço.
Os dias passaram, as luas renovaram e estrelas morreram. Triste, numa lágrima só, deixou de a procurar. Deixou a vida escolher o tempo certo e sonhar de olhos abertos.
Estava sol, naquele dia. O céu de um azul cristalino e o mar convidativo, levou-a a passear. Mal ergueu o olhar, o coração em jeito de arritmia, fingiu falhar. Estranho. Algo muito estranho. As pernas não flectiam ao andar, o olhar era fixo e a respiração alterada. A sua luz transmitia pensamentos estranhos e por momentos não soube lidar com os mesmos. Lembrou-se de sorrir ao cruzar os seus olhos nos dela. Sorriu timidamente, em jeito de 'gostei de te ver'. Devagar, esqueceu-se do tempo quente que a rodeiava, ficou com o corpo frio e os olhos tão brilhantes quanto quem a prendeu.
Insegura, levou a alma até a fonte e deixou-se encantar com a voz, o olhar e o sorriso de quem, de pedra e cal, preencheu o seu coração já surdo de tanto a procurar.
Contemplou o Mundo com o sorriso-que-é-só-dentes e deixou-se levar nas asas do amor. Gostava de ouvi-la todas as noites, do seu calor em dias de chuva, de correr para o seu abraço, das histórias diárias, dos problemas resolvidos a dois, das palhaçadas, do seu olhar confuso e da mão certa. Não sabiam que o oxigénio existia longe uma da outra. Os cadernos eram preenchidos de miniaturas de corações fielmente perfurados de setas e os pensamentos repletos de imagens, de cronómetros, ansiedade. Passaram-se meses e meses. Horas eternas.
Não sabiam definir o que sentiam, apenas que a gravidade alterava-se quando as mãos estavam dadas e eram capazes de voar, de flutuar por tudo o que as rodeava.
Passados outros dias, tinham um muro que as separava. O muro era alto e impossível de saltar. Olhavam as duas para a Lua, e num só sussuro, treparam o muro com toda a força que tinham.
Braços arranhados, pernas cortadas. E no encontro, o olhar era diferente, a respiração oscilava e quando encostou a mão na sua cara com a maior delicadeza do Mundo, nela uma lágrima deslizou e disse :

- Porque chegaste tão tarde? Para amar-te ainda mais?
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
chéri & ferrero rocher
C. - Estou farta de frio!!
R. - Então porque pediste o cigarro?
A. - Passo eu um ano inteiro a levar com moucos para depois levar com isto...!
( porque teve a sua piada!)
R. - Então porque pediste o cigarro?
A. - Passo eu um ano inteiro a levar com moucos para depois levar com isto...!
( porque teve a sua piada!)
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
in progress..
Era loira, dona de olhos azuis cristalinos, grandes e brilhantes. No rosto, um sorriso terno contemplava a pele macia e clara, tornando-o simpático, apaziguador.
Sentou-se a poucos metros da minha mesa, logo que encontrou os meus olhos na sua órbita, sorriu. Sorri de volta. É mágico um sorriso desconhecido ao final do dia.
Continuei a minha rotina.
Sentada no café, à hora certa do dia marcado, como sempre. Gosto dos meus momentos de paz aqui. Trago o caderno já gasto e rasgado, a caneta de pena e o torbilhão de pensamentos e sentimentos a implorarem para sair.
Organizo tudo. O caderno aberto, a caneta já na mão e ... para adoçar a alma, o sabor do café com leite. Escrevi,escrevi,escrevi. Esqueci-me que as pessoas passavam por mim, que olhavam e opinavam. Levantei a cara e cumprimentei o Mundo.
Tudo normal, mas... ela voltou a sorrir, não foi o mesmo sorriso de desconhecido.
Baixei a cara. 'provavelmente será para alguém sentado na mesa detrás'
Abri o caderno, com toda a delicadeza para não perder nada da sua essência, e olhei para a fotografia de uma criança com dois dentes, aloirada e com ar traquinas, e sorri.
Continuei a escrever o que aquela criança era, o que sentia e o quanto me faria feliz.
Alguém senta-se na mesma mesa do que eu.
Olhei assustada e fechei o caderno.
- Desculpa. Não queria interromper a tua escrita. - disse a cara sorridente, agora envergonhada.
- Não faz mal. Queres alguma coisa? - respondo com prontidão, mostrando não estar a gostar da situação.
- Vi-te como dispões os teus utensílios, como cada coisa é sagrada, a forma como delicadamente agarras na pena e desenhas as palavras. Gostei dos sorrisos, das sobrancelhas cerradas, dos olhos brilhantes inundados de lágrimas... as tuas expressões quando escreves. Gostei de ti.
- Hummm.... - com aquela cara de 'desculpa?' já característica.
- Não leves a mal. Queria conhecer-te, achei graça a certas coisas em ti, ao longe. Ao perto, fechas-te em copas e cerras as expressões. É engraçado. Porque fazes isso?
- Porque não te conheço... nem sei como te chamas e esta não é uma situação muito normal...não achas?
- Acho. Estava ali sentada a ver-te e pensei, 'se não for lá, nunca mais a vou ver', logo farta de perder oportunidades, enchi os pulmões e vim. No início ia só pedir um cigarro, depois olhei para ti e não consegui dizer nada. É estranho. Desculpa, não queria mesmo incomodar-te.
- Não faz mal. Fizeste bem. Só fiquei assustada e surpresa. Podemos começar de novo?
- Desculpa, posso pedir-te um cigarro? E se não for pedir muito....como é que se chama? - ironiza a situação.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
pequeno-almoço a horas de amar
acordei com a sensação que o sol estaria, de pedra e cal, teimosamente à espera do meu primeiro olhar. Aquela sensação, 'só mais 5 minutos' premidos às cegas, o virar para o outro lado e afagar com toda a ternura do Mundo a almofada.
queria esquecer-me que sei andar, falar e pensar. o colchão é confortável, a almofada já tem o contorno do meu pescoço, o cobertor já tem a medida exacta para me cobrir a cara em dias de inverno.
podia,fechar outra vez os olhos, e sonhar. sonhar com tudo o que ambiciono, ouvir palavras em tons nunca ouvidos, cruzar olhares que trazem almas e arredores de ventrículos.
Deixo-me ficar na cama.
O dia traz um gosto a sal, a maresia. E com a maresia, um pequeno trago a fruta fresca, corpos beijados e sonhos em saltos nunca vistos.
Ergo a sobrancelha,estico os ossos e preparo os músculos. São horas.
sento-me na cama e sinto os pensamentos a colidir. Há sempre algo que faz-me sair do quente e continuar a sonhar. Aquele pequeno-almoço.
A casa estava isenta de barulho. O cheiro, o cheiro do café acabado de fazer, aquele cheiro que acaricia-nos a alma de memórias sorridentes do começo de dia maravilhosos, de dias tristes, de dias e noites que nos tornam nós. Os tentáculos do sol alaranjado pintavam a sala, onde num leve sussurro com a voz do Tom Jobim percebemos o significado de paz.
Sentei-me sem demoras. Tomei o café exageradamente açucarado contemplando o mar, o cheiro, o calor,o verde, aquela eterna paisagem.
Saí de casa, preparada para mudar o tom de pele, sentir o sal no corpo e em dito de aventura mergulhar de todas as alturas.
Cheguei. Deitei-me e sonhei a olhar para o céu azul, com alguém, com um beijo, com um abraço, com borboletas que fazem cócegas e arrepios que atravessam o corpo, com o amor. Amar. Queria olhar nos olhos e perceber que ali perdera todas as defesas, todas as incertezas.
Ouvi-te chegar. Aconteceu, eu não estava à tua espera, nem muito menos, sabia quem tu eras.
Olhei-te e não soube direccionar os pensamentos, construir sentimentos, palavras, que palavras? Não sei.
O confuso. O inesperado.
Lembro-me de olhar-te nos olhos e ver a tua alma pura, os teus sentimentos brutos, o teu coração desabitado.
Respirei fundo e ao Mundo, num suspiro, lancei átomos de quem ama pela primeira vez.
Vejo-te na mesma posição, sou capaz de descrever todos os pormenores do teu corpo, da tua essência, e a ferro quente tatuado no meu coração ficaram três intensas palavras.
queria esquecer-me que sei andar, falar e pensar. o colchão é confortável, a almofada já tem o contorno do meu pescoço, o cobertor já tem a medida exacta para me cobrir a cara em dias de inverno.
podia,fechar outra vez os olhos, e sonhar. sonhar com tudo o que ambiciono, ouvir palavras em tons nunca ouvidos, cruzar olhares que trazem almas e arredores de ventrículos.
Deixo-me ficar na cama.
O dia traz um gosto a sal, a maresia. E com a maresia, um pequeno trago a fruta fresca, corpos beijados e sonhos em saltos nunca vistos.
Ergo a sobrancelha,estico os ossos e preparo os músculos. São horas.
sento-me na cama e sinto os pensamentos a colidir. Há sempre algo que faz-me sair do quente e continuar a sonhar. Aquele pequeno-almoço.
A casa estava isenta de barulho. O cheiro, o cheiro do café acabado de fazer, aquele cheiro que acaricia-nos a alma de memórias sorridentes do começo de dia maravilhosos, de dias tristes, de dias e noites que nos tornam nós. Os tentáculos do sol alaranjado pintavam a sala, onde num leve sussurro com a voz do Tom Jobim percebemos o significado de paz.
Sentei-me sem demoras. Tomei o café exageradamente açucarado contemplando o mar, o cheiro, o calor,o verde, aquela eterna paisagem.
Saí de casa, preparada para mudar o tom de pele, sentir o sal no corpo e em dito de aventura mergulhar de todas as alturas.
Cheguei. Deitei-me e sonhei a olhar para o céu azul, com alguém, com um beijo, com um abraço, com borboletas que fazem cócegas e arrepios que atravessam o corpo, com o amor. Amar. Queria olhar nos olhos e perceber que ali perdera todas as defesas, todas as incertezas.
Ouvi-te chegar. Aconteceu, eu não estava à tua espera, nem muito menos, sabia quem tu eras.
Olhei-te e não soube direccionar os pensamentos, construir sentimentos, palavras, que palavras? Não sei.
O confuso. O inesperado.
Lembro-me de olhar-te nos olhos e ver a tua alma pura, os teus sentimentos brutos, o teu coração desabitado.
Respirei fundo e ao Mundo, num suspiro, lancei átomos de quem ama pela primeira vez.
Vejo-te na mesma posição, sou capaz de descrever todos os pormenores do teu corpo, da tua essência, e a ferro quente tatuado no meu coração ficaram três intensas palavras.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
esquerdo.
é estranhamente penetrante a sensação que nos confunde, que difunde dois sentimentos, o quer e não saber-como.
vejo-te a muitos passos dos meus, sei que há uma linha transparente que liga o teu coração ao que é certo, vejo-te tão bem,oh linha.
sinto faíscas, leves e curtas trovoadas,terramotos e tudo o que faria o Mundo desabar, numa pequena linha quase invisível, uma vez coração, outra vez, o que diz 'não'.
senta-se a centímetros da minha epiderme o que diz ser certo e chora, num ruído mais-que-piano, as emoções que arrepiam a medula espinal e, em jeito de paralisia, se apoderam dos lábios rasgados de parvoíce.
não brincamos mais. o coração contraiu o ventrículo esquerdo. o tal ventrículo esquerdo. aquele que, para além de ser 'coração', é o lado que ama, o lado que chora, o lado que derrete e congela.
o amor,nasce e não morre, no ventrículo esquerdo.
sai o sangue limpo, cheio de vida. sonha por entre os passos distraídos, distribui tudo o que tem de bom aos que trazem a cara já cansada de noites a plena luz, é feliz.
e pouco tempo depois, está quase nú, esfarrapado por pequenos picos, esqueceu o sonho que o fez sorrir logo de manhã, tem apenas uma espécie de inquietude, de conflito dentro de si.
o amor esquerdo é assim. sai feliz, pode voltar triste, mas o que importa é que passados segundos faz as pazes.
it's my time to change

'There are moments when life calls out for a change. A change. It is just like the seasons. Our spring was wonderful. But the summer is over. For a long time. And we missed the autumn. Now suddenly, it is cold, so cold that everything freezes. My heart stopped. Our love fell asleep, it was surprised by the snow. But those who are sleeping in the snow, do not notice death...'
sábado, 11 de outubro de 2008
na sombra do teu sorriso
agora, temos o hoje e nunca mais o ontem. e o amanhã? será que ainda há caminho a percorrer?
há.
há um amor incalculável, pitoresco. um amor, de sorrisos e lágrimas com o mesmo calor,com .o mesmo sabor. temos o nosso amor.
o amor que ninguém tem. só eu e tu. onde o Mundo congela,o frio ganha aquecimento, o mar atrai a lua que chora romantismo, a brisa limpa as lágrimas já saudosas e a tua voz é calma. calma como uma melodia harmoniosa, somos capazes de chorar juntos. somos o todo ou nada. somos a certeza da valentia quando os relâmpagos atacam. nós somos assim. capazes de ouvir, de amar os nossos momentos de silêncio, e por outro lado, somos a loucura furiosa, a música frenética que comanda os segundos de delírio. nós somos assim. juntos, para sempre, invencíveis. os dois, contra um corpo de infantaria. onde a nossa força rege-se de apoio, de confiança, de sorrisos inatingíveis, de palavras compreendidas, abraços ternos, horas de estrelas e sonhos.
orgulho-me dele. orgulho-me do que me tornei ao lado dele. orgulho-me com toda a minha alma da sua força, da sua postura perante a vida, dos dias e noites que nos fizeram adultos, dos telefonemas em que o senti colado a mim, das lágrimas que ele me provoca, das minhas gargalhadas depois das dele.
gosto de sentir o coração, bem pertinho do meu. gosto de ouvir os seus sonhos. de esperar eternamente por ele. de carregá-lo quando o whisky ganha o seu sangue. gosto de saber que nunca o vou perder. gosto de vê-lo e enraizá-lo no meu futuro. gosto de vê-lo viajar por entre as linhas, rectas, pontos, das casas e dos projectos infinitos. gosto dele. e há nele, uma imensidão de detalhes que não sei definir.
há o aperto, o beijo, o abraço, o olhar extremamente brilhante e doce, o toque firme de quem chegou ao topo do Mundo e expirrou com toda a força um 'amo-te para a vida e para a morte'.
há o teu abraço que me cativa. o teu calor que me ilumina e a tua barba para cócegas quando a vida é uma mistura de preto esbatido. e ambos ganhamos todos os obstáculos. trocamos um olhar cúmplice e sabemos. aqui ele está em casa, aqui ele está feliz, aqui, ao meu lado, no meu ombro, no meu abraço, ele é o dono do Mundo e do meu Mundo.
gosto de contemplar a tua beleza às escuras. gosto de reparar na tua perfeição a cada dia que passa. gosto e sou ainda mais feliz por estar ao teu lado,mesmo a quilómetros de distância, gosto de saber que o teu sorriso está sempre comigo e nunca me deixa cair nos buracos da vida.
sei que a tua mão nunca se afastou da minha, ainda a sinto firme, ainda oiço o teu tom de voz, a tua gargalhada e os teus conselhos.
ver-te, na tua inteira perfeição, sorrir. ser feliz. e quanto mais feliz és, mais feliz eu sou.
e ganho a vida por ti. porque sei que nada é mais sincero e único do que o amor que sentimos um pelo outro. nada.
amo-te, muito para além do que o Mundo será, muito depois da morte, muito mais forte do que um furacão devastador, muito para além do infinito.

há.
há um amor incalculável, pitoresco. um amor, de sorrisos e lágrimas com o mesmo calor,com .o mesmo sabor. temos o nosso amor.
o amor que ninguém tem. só eu e tu. onde o Mundo congela,o frio ganha aquecimento, o mar atrai a lua que chora romantismo, a brisa limpa as lágrimas já saudosas e a tua voz é calma. calma como uma melodia harmoniosa, somos capazes de chorar juntos. somos o todo ou nada. somos a certeza da valentia quando os relâmpagos atacam. nós somos assim. capazes de ouvir, de amar os nossos momentos de silêncio, e por outro lado, somos a loucura furiosa, a música frenética que comanda os segundos de delírio. nós somos assim. juntos, para sempre, invencíveis. os dois, contra um corpo de infantaria. onde a nossa força rege-se de apoio, de confiança, de sorrisos inatingíveis, de palavras compreendidas, abraços ternos, horas de estrelas e sonhos.
orgulho-me dele. orgulho-me do que me tornei ao lado dele. orgulho-me com toda a minha alma da sua força, da sua postura perante a vida, dos dias e noites que nos fizeram adultos, dos telefonemas em que o senti colado a mim, das lágrimas que ele me provoca, das minhas gargalhadas depois das dele.
gosto de sentir o coração, bem pertinho do meu. gosto de ouvir os seus sonhos. de esperar eternamente por ele. de carregá-lo quando o whisky ganha o seu sangue. gosto de saber que nunca o vou perder. gosto de vê-lo e enraizá-lo no meu futuro. gosto de vê-lo viajar por entre as linhas, rectas, pontos, das casas e dos projectos infinitos. gosto dele. e há nele, uma imensidão de detalhes que não sei definir.
há o aperto, o beijo, o abraço, o olhar extremamente brilhante e doce, o toque firme de quem chegou ao topo do Mundo e expirrou com toda a força um 'amo-te para a vida e para a morte'.
há o teu abraço que me cativa. o teu calor que me ilumina e a tua barba para cócegas quando a vida é uma mistura de preto esbatido. e ambos ganhamos todos os obstáculos. trocamos um olhar cúmplice e sabemos. aqui ele está em casa, aqui ele está feliz, aqui, ao meu lado, no meu ombro, no meu abraço, ele é o dono do Mundo e do meu Mundo.
gosto de contemplar a tua beleza às escuras. gosto de reparar na tua perfeição a cada dia que passa. gosto e sou ainda mais feliz por estar ao teu lado,mesmo a quilómetros de distância, gosto de saber que o teu sorriso está sempre comigo e nunca me deixa cair nos buracos da vida.
sei que a tua mão nunca se afastou da minha, ainda a sinto firme, ainda oiço o teu tom de voz, a tua gargalhada e os teus conselhos.
e sabes o que é que me torna a pessoa mais feliz do Mundo?
ver-te, na tua inteira perfeição, sorrir. ser feliz. e quanto mais feliz és, mais feliz eu sou.
e ganho a vida por ti. porque sei que nada é mais sincero e único do que o amor que sentimos um pelo outro. nada.
amo-te, muito para além do que o Mundo será, muito depois da morte, muito mais forte do que um furacão devastador, muito para além do infinito.
amo-te, será a melhor palavra para definir?
Chama-se Luís. O meu princípio e o meu fim. Ele, que apoia-me sempre.
[ desculpa. não sei definir todos os teus traços. e este texto nunca terá um fim. desculpa.]
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
eu vivo para sonhar e tu?
Não sei os detalhes todos. Não sei definir os teus traços, o teu físico, a tua pele nem a maneira como andas, não sei.
Sei que beijas o sol todos os dias logo pela manhã, quando acordas com o cabelo desalinhado e com os olhos semi-cerrados.
E gosto. Gosto de ouvir o teu sorriso, de sentir a tua magia 24 horas por dia.
Sorrio. Sei que pensas em mim logo no primeiro instante em que nos despedimos como em todos os outros, que sonhas entre letras e rabiscos com as nossas mãos dadas, que ainda sentes o nosso último abraço, que as horas são estranhamente lentas.
Sei, como tu sabes.
Ainda sinto um estranho arrepio quando chegas pertinho de mim, ainda tremo quando sei que vou estar contigo passados segundos, ainda olho para ti e suspiro.
E ver-te por entre a multidão, sorrir e pensar, 'somos o casal mais feliz do Mundo'.
Só não sei em que multidão te misturas, nem se algum dia estarei no mesmo lugar do que tu.
E, todos nós sonhamos assim.
Sei que beijas o sol todos os dias logo pela manhã, quando acordas com o cabelo desalinhado e com os olhos semi-cerrados.
E gosto. Gosto de ouvir o teu sorriso, de sentir a tua magia 24 horas por dia.
Sorrio. Sei que pensas em mim logo no primeiro instante em que nos despedimos como em todos os outros, que sonhas entre letras e rabiscos com as nossas mãos dadas, que ainda sentes o nosso último abraço, que as horas são estranhamente lentas.
Sei, como tu sabes.
Ainda sinto um estranho arrepio quando chegas pertinho de mim, ainda tremo quando sei que vou estar contigo passados segundos, ainda olho para ti e suspiro.
E ver-te por entre a multidão, sorrir e pensar, 'somos o casal mais feliz do Mundo'.
Só não sei em que multidão te misturas, nem se algum dia estarei no mesmo lugar do que tu.
E, todos nós sonhamos assim.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
'não sabes o que és nem o que vales'
A saudade.
a dor de não ter.
a dor de não ouvir.
a falta do teu sorriso.
a falta da tua mão.
Sinto saudades do orgulho que era para ti, sinto saudades de chorar no teu ombro sempre que dizias que o Mundo já não era eterno para ti, dos jantares prolongados e da avaliação subtil.
Das meias palavras. Das histórias e do quanto querias que fosse alguém como tu foste, com todos os sonhos do Mundo nos pensamentos e habilidade em observar o Mundo.
Sempre soube que o meu futuro não te impressionava, que a minha profissão não era a melhor, que o meu coração não aguentaria longe do teu.
E tu avisavas. Gritavas a plenos pulmões que a vida não era o que sempre sonhei, que o mundinho de porcelana onde cresci iria estalar e, provavelmente, não seria forte o suficiente para te orgulhar.
E tinhas toda a razão. Tanta razão que mudaste o meu Mundo todo.
Agora, sento-me à tua espera depois do jantar e tu não apareces. Tu não me contas as tuas histórias, nem dizes as palavras mais duras ou até as mais suaves quando estou tristemente sentada num banco de jardim.
Preciso de ti.
Deixaste-me um fardo demasiado pesado e confesso ter medo de não ser digna de ti.
Quando for de ferro, será que ainda serei o teu maior orgulho?

a dor de não ter.
a dor de não ouvir.
a falta do teu sorriso.
a falta da tua mão.
Sinto saudades do orgulho que era para ti, sinto saudades de chorar no teu ombro sempre que dizias que o Mundo já não era eterno para ti, dos jantares prolongados e da avaliação subtil.
Das meias palavras. Das histórias e do quanto querias que fosse alguém como tu foste, com todos os sonhos do Mundo nos pensamentos e habilidade em observar o Mundo.
Sempre soube que o meu futuro não te impressionava, que a minha profissão não era a melhor, que o meu coração não aguentaria longe do teu.
E tu avisavas. Gritavas a plenos pulmões que a vida não era o que sempre sonhei, que o mundinho de porcelana onde cresci iria estalar e, provavelmente, não seria forte o suficiente para te orgulhar.
E tinhas toda a razão. Tanta razão que mudaste o meu Mundo todo.
Agora, sento-me à tua espera depois do jantar e tu não apareces. Tu não me contas as tuas histórias, nem dizes as palavras mais duras ou até as mais suaves quando estou tristemente sentada num banco de jardim.
Preciso de ti.
Deixaste-me um fardo demasiado pesado e confesso ter medo de não ser digna de ti.
Quando for de ferro, será que ainda serei o teu maior orgulho?

.s.a.u.d.a.d.e.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
o pp zero.
A noite está friamente estranha, o nevoeiro está baixo e o Outono já mostra os dentes nas folhas caídas, alaranjadas. Há sempre dias que não são os melhores e depois do piores vêm os 'assim-assim', quando reparamos já não há noites nem dias, já nem sabemos respirar os dias de Inverno ou até o lindo nascer do sol na Primavera.
Primeiro, é só uma saudade sem cura, depois uma ausência perfeitamente programada. E a vida? A nossa vida? O que é a nossa vida, quando os dias já não são dias nem noites, já não há sangue nem vontade, já não há pulmões cheios nem passos ao alcance do nada?
NADA.
Não é nada. E as desculpas. Que desculpas podem ser plausíveis para deixar de viver?
NENHUMAS.
Ainda há algo que nos acelera o coração, é preciso a ansiedade do dia seguinte, é preciso amar cada passo, cada pedacinho bem traçado ou até mal desenhado, é PRECISO.
E que mal tem deixarmos de sentir o dia seguinte quando é só um? É só um. É só este, porque já está tratado para ser um dia mau... e será que esse dia não será maravilhoso ao pôr-do-sol?
Há sempre um resto de beleza num dia. Há sempre o vento frio que nos rouba as lágrimas e nos corta a pele, há sempre uma criança que inocentemente sorri porque quer ser grande como nós, há sempre uma mão que não nos aquece mas nos apoia. Por isso, deixemos os males e por que não sorrir quando tudo nos caí ao chão?
Os problemas são problemas só na nossa cabeça, quando entram e destroem cada pedacinho do nosso sono, cada trago de ar.
Há sempre solução para tudo. E o sorriso é a solução mais barata e bonita que podemos oferecer nos primeiros minutos de albergue em nós. Até porque os maus não gostam de pessoas felizes e quando não têm sucesso afastam-se. Aí está.
Há sempre a oportunidade de ouro, os dias em que morremos e nascemos ainda mais fortes, ainda mais felizes, ainda mais confiantes e com um sorriso ainda mais bonito.
E depois de 20 anos nestas andanças, que tal morrer hoje,aqui?
Seria uma morte terrível. Uma morte provocada. Um peso em cada consciência limpa.
E não é preciso estar de caras com a morte para nascer diferente.
Podem chorar o que têm a chorar, podem dizer o que têm a dizer. Eu ainda estou aqui, apenas morri. Hoje,nasci. Cresci. Ouvi e arrependi.
Agora, podemos todos sorrir e viver cada minuto? Podemos acordar todos os dias com a ansiedade no peito só porque a chuva irá entrar nas sapatilhas e isso não é agradável, mas é um sinal que temos de comprar umas novas?
A vida é assim.
É acordar e saber que hoje vai ser um dia maravilhoso como o de ontem, nem que seja só pelo sorriso dos que nos vêem chegar perto deles.
E se tivermos muito muito trabalho e cansados das injustiças da vida? Não é sempre bom sentir o quente das lágrimas?
Vamos todos nascer de novo e ser melhores pessoas do que somos.
Do ponto zero.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Encanto
O acelerar de passos no meio de uma multidão confusa entre pensamentos e disturbios em cada ser, fugir do calor e tentar sorrir ao ver uma criança entusiasmada com o brilho do sol que a persegue.
Ouvir cortes de conversas que não são nossas e acreditar que o Mundo não anda louco, apenas distraído à procura do amor. Apanhar um jornal degradado no chão, impresso um dia antes, com o suor de madrugadas de euforia gasta de tanto problema junto em letras pequenas dignas de óculos.
Os olhos ainda custam a abrir, ainda têm a preguiça do sono, o calor da almofada e a lembrança de sonhos deixados sozinhos num quarto pequeno cheio de recordações alucinantes. Esforçam-se a observar o comportamento alheio, há muito coração a bater num espaço tão curto, há cafés engolidos à pressa e uma torrada fria pelo caminho. Todos correm a esta hora, não há tempo, não há passos em falso nem passos descoordenados. Rotina.
Soa ao longe uma voz já familiar que faz-nos dar um passo em direcção a nada que chega rápido.
É amarelo. As portas abrem-se e lá estão mais pessoas a correr, provavelmente atrasados, provavelmente cansados. Ninguém sorri quando há rotina.
Entramos todos. Uns conseguem ler, uns aproveitam os minutos para recordar o sonho abandonado horas antes, outros como eu, limitam-se a olhar. A olhar para nada, apenas estar.
A pensar que há dias que nos fazem correr mesmo quando não temos pressa de partir nem pressa de chegar. São dias, manhãs ou tardes.
Chego ao destino. Saio calmamente e subo as escadas com pesos estúpidos ainda presos as pernas. Cheguei. Já vi o sol, já senti o calor que traz e o calor humano de corações apertados de rotinas.
Peço um café. Já é o segundo, torna-se hábito e não rotina.
Sento-me ao vosso lado e sinto-me estranhamente calma. Ainda rimos com perguntas estúpidas, com notícias escandalosas ou apenas com previsões alucinantes de dias posteriores.
Continuam a falar e eu calo-me a meio de uma frase minha, de uma história, de um conto ou de um pensamento.
Acendo um cigarro.
Olham para mim como se fosse maluquinha e perguntam o porquê do meu silêncio.
Levo o cigarro à boca. Olho para os vossos olhos e num suspiro digo:
Ouvir cortes de conversas que não são nossas e acreditar que o Mundo não anda louco, apenas distraído à procura do amor. Apanhar um jornal degradado no chão, impresso um dia antes, com o suor de madrugadas de euforia gasta de tanto problema junto em letras pequenas dignas de óculos.
Os olhos ainda custam a abrir, ainda têm a preguiça do sono, o calor da almofada e a lembrança de sonhos deixados sozinhos num quarto pequeno cheio de recordações alucinantes. Esforçam-se a observar o comportamento alheio, há muito coração a bater num espaço tão curto, há cafés engolidos à pressa e uma torrada fria pelo caminho. Todos correm a esta hora, não há tempo, não há passos em falso nem passos descoordenados. Rotina.
Soa ao longe uma voz já familiar que faz-nos dar um passo em direcção a nada que chega rápido.
É amarelo. As portas abrem-se e lá estão mais pessoas a correr, provavelmente atrasados, provavelmente cansados. Ninguém sorri quando há rotina.
Entramos todos. Uns conseguem ler, uns aproveitam os minutos para recordar o sonho abandonado horas antes, outros como eu, limitam-se a olhar. A olhar para nada, apenas estar.
A pensar que há dias que nos fazem correr mesmo quando não temos pressa de partir nem pressa de chegar. São dias, manhãs ou tardes.
Chego ao destino. Saio calmamente e subo as escadas com pesos estúpidos ainda presos as pernas. Cheguei. Já vi o sol, já senti o calor que traz e o calor humano de corações apertados de rotinas.
Peço um café. Já é o segundo, torna-se hábito e não rotina.
Sento-me ao vosso lado e sinto-me estranhamente calma. Ainda rimos com perguntas estúpidas, com notícias escandalosas ou apenas com previsões alucinantes de dias posteriores.
Continuam a falar e eu calo-me a meio de uma frase minha, de uma história, de um conto ou de um pensamento.
Acendo um cigarro.
Olham para mim como se fosse maluquinha e perguntam o porquê do meu silêncio.
Levo o cigarro à boca. Olho para os vossos olhos e num suspiro digo:
- É o chegar calmo, o sorriso sincero e as vossas palavras que me deixam assim.
Se fosse eu a fazer as definições de um dicionário, definia encanto assim.
O chegar a casa depois de experimentar o calor do inferno.
Olhar-vos e dizer que não há nada como os amigos, como vocês.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
STOP
Saiu de casa com as convicções todas alinhadas, com as forças direccionadas e com um sorriso rasgado.
Na mala rotineira, os seus rabiscos de sonhos estranhos de ida sem volta, desenhos honrados de paredes limpas na cidade e canetas com choro preto ansiosas por mais um momento de protagonismo.
Inspirou o último trago de ar puramente condicionado e seguiu em frente ainda com a memória do rosto marcado por traços de vida que iria deixar depois daquele passo, depois do fechar a porta, depois de acreditar ser capaz de fugir e sobreviver numa selva longe da sua mão quente de histórias e vivências.
Fechou a porta. Por momentos manteve-se imóvel,desconhecendo o ar que bebia e soluçou.
Sentiu o corpo ficar descorçoado ao deslizar pelo frio de uma parede nunca tocada, sentou-se, contraiu as pernas e libertou cada medo vindo de cada centímetro de pele, cada poro que diria seu.
Nascerá um oceano das suas mágoas.
Soube vencer cada movimento de rotação dos seus problemas, dos seus medos, soube viver cada segundo - apesar da falsa aparência - com o mesmo sorriso com que convictamente saiu do ninho, soube lidar com piratas e tubarões, nadar até ficar sem ar, soube... sobreviver durante minutos.
Sentou-se numa rocha algures à deriva. Viu o pôr-do-sol, ainda com a roupa colada ao corpo, chorou as últimas dores, lembrou tudo o que era honrado de incorporar a sua memória e sem medo algum desviou a mão ao bolso esquerdo com alguma dificuldade.
Há sempre algo que nunca está errado, há sempre uma mão quente pronta para salvar um peixe no mar,há sempre um abraço que recordamos mais do que os outros...
Uma chave prateada e com formas estranhas.
Levantou-se.
Virou costas ao oceano, um passo, dois passos...
Ainda de olhos banhados de raios vermelhos e água salgada do mar em que mergulhara, entrou em casa.
Olhou em frente.
Ela continuava sentada no mesmo sítio, a ler o último poema que lhe deixara...
- Esqueceste-te de alguma coisa? Pensava que tinhas ido comprar pão.
-Esqueci-me. Esqueci-me de olhar para ti com olhos de orgulho, esqueci-me de falar-te no tom mais doce que conheço, lembrar-me antes de esquecer, esqueci-me de beijar cada lágrima tua, esqueci-me de dizer-te que és o meu porto seguro,a minha mão quente de histórias, de conselhos, de rumos sonhados.
Esqueci-me de abraçar-te antes de partir...saí ainda com a tua imagem viva em mim e fiquei imóvel quando soube que a padaria ficava a 20 metros de casa e distraída como sou, tinha me esquecido de tanta coisa.
Na mala rotineira, os seus rabiscos de sonhos estranhos de ida sem volta, desenhos honrados de paredes limpas na cidade e canetas com choro preto ansiosas por mais um momento de protagonismo.
Inspirou o último trago de ar puramente condicionado e seguiu em frente ainda com a memória do rosto marcado por traços de vida que iria deixar depois daquele passo, depois do fechar a porta, depois de acreditar ser capaz de fugir e sobreviver numa selva longe da sua mão quente de histórias e vivências.
Fechou a porta. Por momentos manteve-se imóvel,desconhecendo o ar que bebia e soluçou.
Sentiu o corpo ficar descorçoado ao deslizar pelo frio de uma parede nunca tocada, sentou-se, contraiu as pernas e libertou cada medo vindo de cada centímetro de pele, cada poro que diria seu.
Nascerá um oceano das suas mágoas.
Soube vencer cada movimento de rotação dos seus problemas, dos seus medos, soube viver cada segundo - apesar da falsa aparência - com o mesmo sorriso com que convictamente saiu do ninho, soube lidar com piratas e tubarões, nadar até ficar sem ar, soube... sobreviver durante minutos.
Sentou-se numa rocha algures à deriva. Viu o pôr-do-sol, ainda com a roupa colada ao corpo, chorou as últimas dores, lembrou tudo o que era honrado de incorporar a sua memória e sem medo algum desviou a mão ao bolso esquerdo com alguma dificuldade.
Há sempre algo que nunca está errado, há sempre uma mão quente pronta para salvar um peixe no mar,há sempre um abraço que recordamos mais do que os outros...
Uma chave prateada e com formas estranhas.
Levantou-se.
Virou costas ao oceano, um passo, dois passos...
Ainda de olhos banhados de raios vermelhos e água salgada do mar em que mergulhara, entrou em casa.
Olhou em frente.
Ela continuava sentada no mesmo sítio, a ler o último poema que lhe deixara...
- Esqueceste-te de alguma coisa? Pensava que tinhas ido comprar pão.
-Esqueci-me. Esqueci-me de olhar para ti com olhos de orgulho, esqueci-me de falar-te no tom mais doce que conheço, lembrar-me antes de esquecer, esqueci-me de beijar cada lágrima tua, esqueci-me de dizer-te que és o meu porto seguro,a minha mão quente de histórias, de conselhos, de rumos sonhados.
Esqueci-me de abraçar-te antes de partir...saí ainda com a tua imagem viva em mim e fiquei imóvel quando soube que a padaria ficava a 20 metros de casa e distraída como sou, tinha me esquecido de tanta coisa.
terça-feira, 1 de julho de 2008
once again...
Cresceste os tais centímetros que faltavam, e agora?
Agora, será que deixo o medo que me córroi o coração e oiço cada palavra tua como se fosse minha?
Ou simplesmente continuo com o medo interminável dentro de mim, sem ver o que és, sem conhecer cada decisão tua, sem ouvir uma palavra pura e digna de mim?
Será que medi cada palavra, cada suspiro dito ou sentido, nas duas partes?
Não.
um não, apenas.
de nunca mais.
Agora, será que deixo o medo que me córroi o coração e oiço cada palavra tua como se fosse minha?
Ou simplesmente continuo com o medo interminável dentro de mim, sem ver o que és, sem conhecer cada decisão tua, sem ouvir uma palavra pura e digna de mim?
Será que medi cada palavra, cada suspiro dito ou sentido, nas duas partes?
Não.
um não, apenas.
de nunca mais.
terça-feira, 24 de junho de 2008
Wanted
Tinha mais 3 centímetros do que os seus cúmplices companheiros de traquinices e acreditava no amor à primeira vista, aqueles romances arrebatadores que a deixassem horas a fio deitada num muro a ver as estrelas e fases da lua.
Desde criança que soube manipular todos os fios de azeite que tentaram enrolar as suas ideias tão fixas quanto as rochas que trepava sem medo algum. Sabia correr contra o vento como nunca ninguém soube, rasgar a água sem medo de a consumir, lutar sempre que sabia ter razão e brincar, brincar sempre que um segundo mal visto no relógio lhe fosse admitido.
Criava mundos de paredes cor-de-rosa onde guardava todas as palavras que ouvia, todas por ordem, uma a seguir à outra, para que um dia fosse como eles, alguém. Sentava-se no mesmo canto do quarto mergulhada em bonecas loiras de olhos azuis onde falavam horas, perdiam jantares e festas até o telejornal cheio de mortes e sobreviventes, deixavam parecer o mundo real, um mundo de loucos e sorriam.
O chá era servido às 17h e as bolachinhas previamente feitas com amor e carinho que a mãe sempre ensinou a transmitir. As amigas entravam no seu quarto e enquanto degustavam o chá contavam peripécias e olhares escaldantes trocados com cavalheiros de lenço no bolso.
Um dia cresceu, deixou as amigas de cabelos dourados como sóis sentadas no mesmo canto do seu quarto, recusou o chá de camomila e as bolachinhas melosas de tanto amor que depositava nelas.
Um dia, escondeu o coração frágil e cheio de sonhos e apaixonado por pessoas imaginárias que lhe faziam tão bem, num cofrezinho azul que trazia desde os poucos anos de vida e que sempre lhe fascinou.
Desde criança que soube manipular todos os fios de azeite que tentaram enrolar as suas ideias tão fixas quanto as rochas que trepava sem medo algum. Sabia correr contra o vento como nunca ninguém soube, rasgar a água sem medo de a consumir, lutar sempre que sabia ter razão e brincar, brincar sempre que um segundo mal visto no relógio lhe fosse admitido.
Criava mundos de paredes cor-de-rosa onde guardava todas as palavras que ouvia, todas por ordem, uma a seguir à outra, para que um dia fosse como eles, alguém. Sentava-se no mesmo canto do quarto mergulhada em bonecas loiras de olhos azuis onde falavam horas, perdiam jantares e festas até o telejornal cheio de mortes e sobreviventes, deixavam parecer o mundo real, um mundo de loucos e sorriam.
O chá era servido às 17h e as bolachinhas previamente feitas com amor e carinho que a mãe sempre ensinou a transmitir. As amigas entravam no seu quarto e enquanto degustavam o chá contavam peripécias e olhares escaldantes trocados com cavalheiros de lenço no bolso.
Um dia cresceu, deixou as amigas de cabelos dourados como sóis sentadas no mesmo canto do seu quarto, recusou o chá de camomila e as bolachinhas melosas de tanto amor que depositava nelas.
Um dia, escondeu o coração frágil e cheio de sonhos e apaixonado por pessoas imaginárias que lhe faziam tão bem, num cofrezinho azul que trazia desde os poucos anos de vida e que sempre lhe fascinou.
Deu-lhe um beijo e de impulso lançou do seu refúgio,de lágrimas e sorrisos solitários, para um mar sublime, o oceano que mora a metros de casa.
Eu sei onde está a chave e tu, sabes onde está o meu coração?

No cantinho do céu, há tarte de maçã e canela...
Sentei-me numa pedra fria virada para o rio,sabia que os sentimentos que me traziam lá eram tantos quantos os sentimentos gélido e fúteis daquele pedaço de granito.
Deixei que a corrente levasse tudo o que tinha, tudo o que me magoava...a mistura das lágrimas com a água estranhamente imunda e sórdida fez-me acreditar que em alguma parte do Mundo o azeite mistura-se com a água, tal como tu e eu.
Num cantinho do céu cheio de sol durante o dia e estrelas durante a noite, talvez nesse cantinho do Mundo,hoje, não me deixasses estranhamente triste e estranhamente magoada.
Onde pudessemos dar as mãos e não tivessemos um relógio a 'tick-tackar' os segundos, onde o mar fosse tão desmedido,sereno, tão limpo de nuvens que fosse um convite irrecusável todos os dias do ano, a areia fina e a noite, a noite repleta de estrelas cadentes para que todos os teus desejos fossem,ao menos, pedidos.
O pequeno-almoço na hora do almoço ou o almoço na hora do jantar?
Podia cozinhar todas as refeições do nosso dia e até lavar a loiça (mas,que loiça?!), tratar da casa ou algo que acolhesse o nosso amor em dias de temporal.
3 filhos?
Maravilhoso. Por mim, teríamos uma equipa de futebol, todos com os teus traços de menina 'agradável à vista', com o teu cabelo, com o teu cerebrozinho de Einstein, com a tua boa disposição em dias de sol e sem a má disposição num dia de chuva, com a tua gargalhada e nunca com o teu choro, com a tua visão do Mundo, com a tua definição de amor, com o teu orgulho na família e sem a tua rabugice de preferência.
Durante a noite, acendíamos uma fogueira e contávamos histórias de amor feitas à nossa medida,
sempre com final feliz e mergulhávamos na imensidão do Universo ao explicar cada constelação aos nossos rebentos. Explicávamos a Lua e o significado que tem para nós, aos mais velhos narrávamos cada detalhe do nosso primeiro encontro, o nervosismo e a sensação de estar 'apaixonado'.
Neste cantinho do céu, será que seríamos felizes?
Parece 'quase' perfeito...
Mas falta o 'quase' mais-que-perfeito...
'Eureka, agora eu sei...'
Deixei que a corrente levasse tudo o que tinha, tudo o que me magoava...a mistura das lágrimas com a água estranhamente imunda e sórdida fez-me acreditar que em alguma parte do Mundo o azeite mistura-se com a água, tal como tu e eu.
Num cantinho do céu cheio de sol durante o dia e estrelas durante a noite, talvez nesse cantinho do Mundo,hoje, não me deixasses estranhamente triste e estranhamente magoada.
Onde pudessemos dar as mãos e não tivessemos um relógio a 'tick-tackar' os segundos, onde o mar fosse tão desmedido,sereno, tão limpo de nuvens que fosse um convite irrecusável todos os dias do ano, a areia fina e a noite, a noite repleta de estrelas cadentes para que todos os teus desejos fossem,ao menos, pedidos.
O pequeno-almoço na hora do almoço ou o almoço na hora do jantar?
Podia cozinhar todas as refeições do nosso dia e até lavar a loiça (mas,que loiça?!), tratar da casa ou algo que acolhesse o nosso amor em dias de temporal.
3 filhos?
Maravilhoso. Por mim, teríamos uma equipa de futebol, todos com os teus traços de menina 'agradável à vista', com o teu cabelo, com o teu cerebrozinho de Einstein, com a tua boa disposição em dias de sol e sem a má disposição num dia de chuva, com a tua gargalhada e nunca com o teu choro, com a tua visão do Mundo, com a tua definição de amor, com o teu orgulho na família e sem a tua rabugice de preferência.
Durante a noite, acendíamos uma fogueira e contávamos histórias de amor feitas à nossa medida,
sempre com final feliz e mergulhávamos na imensidão do Universo ao explicar cada constelação aos nossos rebentos. Explicávamos a Lua e o significado que tem para nós, aos mais velhos narrávamos cada detalhe do nosso primeiro encontro, o nervosismo e a sensação de estar 'apaixonado'.
Neste cantinho do céu, será que seríamos felizes?
Parece 'quase' perfeito...
Mas falta o 'quase' mais-que-perfeito...
'Eureka, agora eu sei...'

(: *
sábado, 21 de junho de 2008
Shine on me
O vento já passou mais frio

do que ontem.
Traz uma leve e reconfortante
memória de noite de verão
onde delicadamente oiço a tua voz ao longe.
Alguém conspirou
e a noite é susceptível
a sensações desconhecidas
como o aroma
de uma noite de verão inesquecível.
Chegas levemente
com medo do meu partir.
Deixas que o teu perfume
venha ao encontro dos meus sentimentos
vazios,
escondidos entre poeiras e arrependimentos.

Vejo o teu reflexo no mar,
sinto-te a me abraçar.
Suavemente,
tiras-me os vícios estúpidos que sempre tive
e misturas o teu calor no meu.
Damos as mãos
e a noite fica mais bonita.
Dizes : '-Já viste quem chegou? Está ali a tua estrela preferida...!'
É verdade. Chegou silenciosamente,
arrombou a porta,
sentou-se
e de pedra e cal nunca mais há-de sair.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
dreaming a little dream
Brincamos com as pedras
de uma calçada
tão torta quanto o nosso coração.
Rasgamos ventrículos
que jamais voltam ao estado primitivo,
deixamos marcas,
vestígios de feridas já curadas
por muitos segundos, momentos,
eternidades de pensamentos.
Este é o caminho
que percorremos.
Chegamos ao cruzamento final,
há quem diga adeus...
uma espécie de sinal,
uma simples lágrima e parta.
Apertamos mãos,
subtil sinal de finalização.
Grita o que o teu corpo
um dia nunca disse,
dá a conhecer as tuas ideias, os teus medos,
a tua vida depois da minha.
Shiuuu...
o Mundo já dorme
e eu ainda tinha um pensamento,
um sonho,
um conjunto de ideias mais ou menos disparatadas
que apresentam-se quando deixo este Mundo,
e o cor-de-rosa dentro de mim evidencia superioridade...
A idade não conta quando os sonhos de criança
nascem, crescem e nunca morrem
dentro do que sempre fui.
Hoje ouvi uma história,
tão certa,
tão perfeita...
Hoje,
alguém disse que não há caminhos certos,
há caminhos do coração
e esses, são os que valem a pena,
quando a alma não ocupa muito espaço.
[ um sonho de criança . . .um dia, hei-de te encontrar. ]

Life, Oh life..

Há passos
tão certos quanto o azul do céu,
passos.
Vidas,
caminhos tão longos quanto distantes
indefesos.
Não sabemos o que será.
O sabor do futuro,
a dor do passado,
o calor do presente...
tão certos quanto o azul do céu,
passos.
Vidas,
caminhos tão longos quanto distantes
indefesos.
Não sabemos o que será.
O sabor do futuro,
a dor do passado,
o calor do presente...
Temos medo
das lágrimas já secas
e saudades dos sorrisos
parvos.
Chamamos a isto, vida.
Uma vida.
O ir e voltar,
o medo de errar,
a alegria de um passo,
a arritmia dos momentos...
o sabor do vento
e o calor das estrelas.
uma vida.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
instinto
Há quem não goste de acordar
da maneira que tu me acordas.
Há quem nunca sonhe
acordar com
a palma da tua mão pequenina.
Sempre quis amar
centímetros de gente,
indefesos e meus,
tais como tu.
Acordar só para saber que respiras,
viver só para que vivas ao meu lado,
sonhar para que sejas feliz,
brincar para que nunca percas a tua infância.
Gosto quando,
bruscamente,
apoias a tua cabeça no meu peito
e sinto a tua respiração
ainda irregular
e a coordenas com a minha.
Do prazer de ver-te quando,
exausta, chego a casa.
O teu beijo.
O teu calorzinho.
Ver o teu cabelo crescer...
As tuas pernas ficarem iguais às minhas,
os teus olhos observarem os meus
e a mão...
a mão que sempre trago comigo,
quando com medo,passas a rua...
Quero ver o Mundo pelos teus olhos,
quero ganhar a vida só pelo teu sorriso,
pela vida que dás a estas paredes...
Mesmo que,
durante meses ou anos,
tenha que acordar todas as noites
com o teu choro
só porque queres comer,
só porque queres dormir ao meu lado.
[ saudades ]
da maneira que tu me acordas.
Há quem nunca sonhe
acordar com
a palma da tua mão pequenina.
Sempre quis amar
centímetros de gente,
indefesos e meus,
tais como tu.
Acordar só para saber que respiras,
viver só para que vivas ao meu lado,
sonhar para que sejas feliz,
brincar para que nunca percas a tua infância.
Gosto quando,
bruscamente,
apoias a tua cabeça no meu peito
e sinto a tua respiração
ainda irregular
e a coordenas com a minha.
Do prazer de ver-te quando,
exausta, chego a casa.
O teu beijo.
O teu calorzinho.
Ver o teu cabelo crescer...
As tuas pernas ficarem iguais às minhas,
os teus olhos observarem os meus
e a mão...
a mão que sempre trago comigo,
quando com medo,passas a rua...
Quero ver o Mundo pelos teus olhos,
quero ganhar a vida só pelo teu sorriso,
pela vida que dás a estas paredes...
Mesmo que,
durante meses ou anos,
tenha que acordar todas as noites
com o teu choro
só porque queres comer,
só porque queres dormir ao meu lado.
[ saudades ]
sábado, 19 de abril de 2008
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Let's sing a new song
Um dia disseram-me que guardar as lágrimas
era o maior pecado que podia fazer,
que guardar os segredos
seria um peso que não podia aguentar.
Hoje,
as lágrimas tem o calor
do chá nocturno
e fazem impressão
ao tocar a minha pele fria.
Canto alto
para que não oiçam
as lágrimas a secar
as lágrimas a secar
e mesmo assim
há um nó demasiado grande
algures na minha garganta
que bloqueia as notas agudas
e dificulta as graves.
Hoje não é um bom dia para cantar aos céus.
Hoje é um bom dia
para deixar o salgado na almofada
ao som de canções de embalar.

terça-feira, 15 de abril de 2008
Conversa a duas cadeiras.
Eram 2 cadeiras verdes, no meio de um pátio iluminado pelo sol. Um rectângulo cinzento com calçada portuguesa nas traseiras de uma faculdade, duas almas sentadas nas tais cadeiras vulgares, desenhadas em larga escala, cantavam ao sol o que o almoço não soube ouvir.
Estivemos quietas.
Caladas.
Levámos o vício aos lábios e fingimos expulsar todo o mal que nos corrói.
Olhei para ela.
Das lágrimas que não vi, deduzi.
Há tanto na nossa história que não podemos controlar...
e hoje, hoje apetecia-me tanto falar...
Quebrámos o gelo.
- Fala-me. Que traz a tua alma que perturba o teu corpo?
- Sabes, às vezes sinto-me só. Sinto que o meu corpo não está aqui, que o jantar fica frio porque não está ninguém ao meu lado, que o meu coração já foi mais apaixonado, que as saudades são terríveis e não morrem à luz de um telefonema, que o tempo ocupado dos meus dias não valem os minutos ditos por vocês... Se há coisa que me seduz, é ver que ao chegar a esta 'coisa',a que chamam de faculdade, alguém me conhece, alguém me ouve, alguém almoça comigo e quando o tempo está bom cá fora e terrível cá dentro, agarramos em 2 cadeiras e não há horas...
- Sabes, a minha vida não é o sorriso que trago. As manhãs já tiveram sabores de fruta, de sol, de chuva, de trabalho... hoje, estão inundadas em sonhos que trago em mim, que deixo na almofada pousada na minha cama, no quarto que dizem meu. Troco os ponteiros do relógio para pensar que ando certa no meu dia e que os outros é que estão mal, tão mal que nem os vejo. Sinto medo de sair de casa, de enfrentar o mundo, dos passos sozinha... Se pudesse chorava e abraçava-me ao meu pai,antes de sair de casa. Pedia para não me deixar ir, para tratar de mim, para que o abraço chega-se até onde quero ir. Queria ser uma criança...queria ser mãe.
-Mãe! Gosto do que a palavra traz. Diz-me se estou mal ou o Mundo está prestes a acabar...? Quero ser mãe a tempo inteiro. Deixar o Mundo e ver a minha filha crescer, vês mal nisso? Serei
anormal? Quero ouvir a primeira palavra ou o primeiro sussurro, quero sentir o primeiro passo como se marcasse a humanidade, quero conhecer o Mundo dela e perceber melhor o meu... Diz-me.. Serei eu? As mulheres de hoje não querem ser assim?
- Não digas asneiras!! Elas não sabem o que dizem. Claro que qualquer mãe quer ver o desenvolvimento do seu filho. Eu própria, quero dedicar-me a tempo inteiro. Quero ouvir o primeiro choro e estar presente no último, quero ver o primeiro sonho a ser realizado, quero estar perceber o brilho nos olhos quando estiver apaixonada, quero cuidar das feridas, deixá-la adormecer no meu ombro para que não tenha medo de sonhos maus, quero que saiba todos os contos de fada que eu soube, quero que acredite que a Lua segue o nosso carro quando formos de férias, quero ter conversas de horas caladas ao lado dela... Achas que alguém não quer? Achas que alguma mãe quer ficar longe de um filho?
- Senti-me mal. Tão mal que preferia ter um pensamento moderno, queria amar mais a minha profissão do que os meus sonhos... Será que a nossa geração não sonha? Deixam-me confusa. Detesto esta gente que tem medo de dizer que ama ou que quer amar, que quer viver cada segundo em função do sorriso de alguém... Mulheres do século XXI são bem piores do que os homens do século XIX...!
- Deixa-te disso. Ainda há gente que sonha. Ainda há gente que ama e acredita no amor.
- Deixa lá que o meu namorado não está nessa percentagem. Às vezes não percebo como é que ele me conquistou, é estranho, eu sei. Ele pensa de maneira tão diferente que chego a ter medo do meu futuro ao lado dele. Ainda me lembro do nosso primeiro fim-de-semana... Havia a incerteza, os beijos a medo, as mãos inseguras, os olhares intensos... Depois, os beijos envolventes, as mãos em jeito de desejo... E o Domingo,o domingo foi o nosso dia mais infeliz, a volta ao Mundo normal, a casa, o medo de o perder, o sabor do último beijo, o andar nas nuvens, o mandar calar a mãe que está chateada, o deitar na cama e lembrar cada segundinho passado ao lado dele... Hello!!! Passados alguns tempos, já não há Domingo nem qualquer outro dia da semana que seja doce ou tenha um sabor sofisticado. Tenho medo de já não o amar...
- Vocês são mesmo muito diferentes,é um facto...mas o amor não vive de igualdade, de momentos de acordo ou de noites escaldantes, tu sabes disso.
- Trato disso quando for tempo. Agora diz-me tu, que se passou? O mesmo?
- O mesmo... Vi-o na Madeira, tive poucas vezes com ele... Queria tanto não gostar dele!!
- Com esse brilho nos olhos? Complicado...!!
- Pois... Eu sei que sim, o problema não são os olhos, esses são fáceis, o problema é esta maquineta. [ aponta para o coração ]
- Falaste com ele?
-Querer...até queria. Falamos pouco e o que falamos...não teve duas gramas do dicionário que queria ter dito. Gostava de olhar para aqueles olhos banhados de chocolate, ver a meiguice que trazem e que sempre vi, dizer que sinto saudades do abraço envolvente, do beijo quente, da mão na minha, dos dois corpos calados, das conversas de horas, das birras, das nossas brincadeiras, das nossas horas sagradas, das noites em que fugiámos para amar cada poro nosso, das estrelas, dos jantares a dois, dos fins-de-semana algures com um pequeno-almoço maravilhoso, do almoço, do vinho que ele gosta, da maneira única de falar daquele ser, do andar, do nariz, de torrar horas ao sol só porque ele adora ser uma lagartixa e não percebe que sou feita de leite e os meus filhos serão transparentes, da família dele à espera de uma frase minha, de pensar que o Mundo ia acabar e a paciência interminável dele, do beijo calmo, de brigar com ele para andar mais devagar na estrada...de amá-lo a todos os segundos...
Acho que nunca o amei assim... Se ele hoje fosse meu, não me reconhecia...Queria tanto estar com ele...!
- Preferia o sorriso parvo à lágrima estúpida...
- Sabes o que é que me irrita?
- Calculo...
- Enerva-me o poder que ele tem, enerva-me vê-lo ao longe e sentir as pernas bambas e o coração aos saltos, enerva-me pensar nele todos os minutos do meu dia, sabendo que ele nem deve pensar em mim no meu dia de anos, enerva-me fazer esta figura parva quando falo nele, enerva-me os planos mirabolantes que trago em mim, as estrelas que têm o seu perfume, os sonhos em que ele é o actor principal, os cigarros durante a noite ao fumo das palavras dele, imaginá-lo a meio de um festival a procurar por mim ( sim, porque eu feita estúpida procuro por ele e gostava que tivesse ali ), irrita-me as insónias, irrita-me as horas a olhar para o telemóvel,irrita-me sorrir, gargalhar e saltar quando sei dele, irrita-me ver alguém parecido com ele, irrita-me a cama em qe dormiámos... as paredes que consumimos, os traços que planeamos...
O pior de tudo isto... é ter a plena noção que se ele me pedisse em casamento, eu dizia que sim e não pensava em mais nada...

Estivemos quietas.
Caladas.
Levámos o vício aos lábios e fingimos expulsar todo o mal que nos corrói.
Olhei para ela.
Das lágrimas que não vi, deduzi.
Há tanto na nossa história que não podemos controlar...
e hoje, hoje apetecia-me tanto falar...
Quebrámos o gelo.
- Fala-me. Que traz a tua alma que perturba o teu corpo?
- Sabes, às vezes sinto-me só. Sinto que o meu corpo não está aqui, que o jantar fica frio porque não está ninguém ao meu lado, que o meu coração já foi mais apaixonado, que as saudades são terríveis e não morrem à luz de um telefonema, que o tempo ocupado dos meus dias não valem os minutos ditos por vocês... Se há coisa que me seduz, é ver que ao chegar a esta 'coisa',a que chamam de faculdade, alguém me conhece, alguém me ouve, alguém almoça comigo e quando o tempo está bom cá fora e terrível cá dentro, agarramos em 2 cadeiras e não há horas...
- Sabes, a minha vida não é o sorriso que trago. As manhãs já tiveram sabores de fruta, de sol, de chuva, de trabalho... hoje, estão inundadas em sonhos que trago em mim, que deixo na almofada pousada na minha cama, no quarto que dizem meu. Troco os ponteiros do relógio para pensar que ando certa no meu dia e que os outros é que estão mal, tão mal que nem os vejo. Sinto medo de sair de casa, de enfrentar o mundo, dos passos sozinha... Se pudesse chorava e abraçava-me ao meu pai,antes de sair de casa. Pedia para não me deixar ir, para tratar de mim, para que o abraço chega-se até onde quero ir. Queria ser uma criança...queria ser mãe.
-Mãe! Gosto do que a palavra traz. Diz-me se estou mal ou o Mundo está prestes a acabar...? Quero ser mãe a tempo inteiro. Deixar o Mundo e ver a minha filha crescer, vês mal nisso? Serei
anormal? Quero ouvir a primeira palavra ou o primeiro sussurro, quero sentir o primeiro passo como se marcasse a humanidade, quero conhecer o Mundo dela e perceber melhor o meu... Diz-me.. Serei eu? As mulheres de hoje não querem ser assim?
- Não digas asneiras!! Elas não sabem o que dizem. Claro que qualquer mãe quer ver o desenvolvimento do seu filho. Eu própria, quero dedicar-me a tempo inteiro. Quero ouvir o primeiro choro e estar presente no último, quero ver o primeiro sonho a ser realizado, quero estar perceber o brilho nos olhos quando estiver apaixonada, quero cuidar das feridas, deixá-la adormecer no meu ombro para que não tenha medo de sonhos maus, quero que saiba todos os contos de fada que eu soube, quero que acredite que a Lua segue o nosso carro quando formos de férias, quero ter conversas de horas caladas ao lado dela... Achas que alguém não quer? Achas que alguma mãe quer ficar longe de um filho?
- Senti-me mal. Tão mal que preferia ter um pensamento moderno, queria amar mais a minha profissão do que os meus sonhos... Será que a nossa geração não sonha? Deixam-me confusa. Detesto esta gente que tem medo de dizer que ama ou que quer amar, que quer viver cada segundo em função do sorriso de alguém... Mulheres do século XXI são bem piores do que os homens do século XIX...!
- Deixa-te disso. Ainda há gente que sonha. Ainda há gente que ama e acredita no amor.
- Deixa lá que o meu namorado não está nessa percentagem. Às vezes não percebo como é que ele me conquistou, é estranho, eu sei. Ele pensa de maneira tão diferente que chego a ter medo do meu futuro ao lado dele. Ainda me lembro do nosso primeiro fim-de-semana... Havia a incerteza, os beijos a medo, as mãos inseguras, os olhares intensos... Depois, os beijos envolventes, as mãos em jeito de desejo... E o Domingo,o domingo foi o nosso dia mais infeliz, a volta ao Mundo normal, a casa, o medo de o perder, o sabor do último beijo, o andar nas nuvens, o mandar calar a mãe que está chateada, o deitar na cama e lembrar cada segundinho passado ao lado dele... Hello!!! Passados alguns tempos, já não há Domingo nem qualquer outro dia da semana que seja doce ou tenha um sabor sofisticado. Tenho medo de já não o amar...
- Vocês são mesmo muito diferentes,é um facto...mas o amor não vive de igualdade, de momentos de acordo ou de noites escaldantes, tu sabes disso.
- Trato disso quando for tempo. Agora diz-me tu, que se passou? O mesmo?
- O mesmo... Vi-o na Madeira, tive poucas vezes com ele... Queria tanto não gostar dele!!
- Com esse brilho nos olhos? Complicado...!!
- Pois... Eu sei que sim, o problema não são os olhos, esses são fáceis, o problema é esta maquineta. [ aponta para o coração ]
- Falaste com ele?
-Querer...até queria. Falamos pouco e o que falamos...não teve duas gramas do dicionário que queria ter dito. Gostava de olhar para aqueles olhos banhados de chocolate, ver a meiguice que trazem e que sempre vi, dizer que sinto saudades do abraço envolvente, do beijo quente, da mão na minha, dos dois corpos calados, das conversas de horas, das birras, das nossas brincadeiras, das nossas horas sagradas, das noites em que fugiámos para amar cada poro nosso, das estrelas, dos jantares a dois, dos fins-de-semana algures com um pequeno-almoço maravilhoso, do almoço, do vinho que ele gosta, da maneira única de falar daquele ser, do andar, do nariz, de torrar horas ao sol só porque ele adora ser uma lagartixa e não percebe que sou feita de leite e os meus filhos serão transparentes, da família dele à espera de uma frase minha, de pensar que o Mundo ia acabar e a paciência interminável dele, do beijo calmo, de brigar com ele para andar mais devagar na estrada...de amá-lo a todos os segundos...
Acho que nunca o amei assim... Se ele hoje fosse meu, não me reconhecia...Queria tanto estar com ele...!
- Preferia o sorriso parvo à lágrima estúpida...
- Sabes o que é que me irrita?
- Calculo...
- Enerva-me o poder que ele tem, enerva-me vê-lo ao longe e sentir as pernas bambas e o coração aos saltos, enerva-me pensar nele todos os minutos do meu dia, sabendo que ele nem deve pensar em mim no meu dia de anos, enerva-me fazer esta figura parva quando falo nele, enerva-me os planos mirabolantes que trago em mim, as estrelas que têm o seu perfume, os sonhos em que ele é o actor principal, os cigarros durante a noite ao fumo das palavras dele, imaginá-lo a meio de um festival a procurar por mim ( sim, porque eu feita estúpida procuro por ele e gostava que tivesse ali ), irrita-me as insónias, irrita-me as horas a olhar para o telemóvel,irrita-me sorrir, gargalhar e saltar quando sei dele, irrita-me ver alguém parecido com ele, irrita-me a cama em qe dormiámos... as paredes que consumimos, os traços que planeamos...
O pior de tudo isto... é ter a plena noção que se ele me pedisse em casamento, eu dizia que sim e não pensava em mais nada...
Porto, 12 de Abril de 2008
Por : C e V
domingo, 13 de abril de 2008
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Smile like you mean it
Deixas-me
no melhor e no pior.
e sabes que mais?
adoro imaginar a tua mão na minha,

o teu respirar perto do meu.
acordar e sentir
a textura do sol
ao bater na cara,
ouvir as crianças
com planos maléficos contra a professora
primária,
achar graça
aos companheiros ressacados
do autocarro,
gostar do espaço escuso
do metro,
apanhar chuva e sorrir...
sorrir...
Brindar a vida
aos teus olhos.
Brindar a vida perto de ti.
Senti o meu corpo
andar e viver cada passo.
sinto as gotas da chuva
como se fossem raios de sol
a queimarem-me a pele exaustivamente,
e ao chegar a casa,
sentar-me no mesmo lugar
em que passo horas e horas
à espera de ser feliz,
de viver um segundo,
sorri.
e as 5 horas sentada
foram impossiveis.
Saltei,
dancei,
arrumei,
sorri...
Feliz.
Hoje estou feliz.
Feliz
e a 'culpa' é tua.
'I'm still in love with you, girl!'
quinta-feira, 3 de abril de 2008
na porta velha
Sentei-me nas traseiras da casa
numa porta quase destruída pelo tempo,
num degrau de pedra fria
que inundava o meu corpo
de sentimentos redondos como as pedras que me faziam companhia.
Deixei que me cantassem ao ouvido
histórias de amor
que nunca mais vou conhecer,
encostei a cabeça na madeira envelhecida
e descansei
sem medo do que podia acontecer
naquele beco escuro
cheio de casa tradicionais
abandonadas ao Douro que contemplo.
Chguei tarde de mais.
As águas
vão lentas...
Queria ouvir a tua voz
ou simplesmente sentir o teu abraço.
Não queria que mudasses de ideias
quanto ao que sentes...
Queria apenas
uma borracha branca
para apagar todos os traços mal desenhados
da minha vida,
da nossa vida.
Há músicas que dizem,
que um grande amor nunca resulta à primeira.
Que 10 anos depois,
a maturidade é outra
e amor vem com mais força,
com ordem para ficar .
A porta já está velha,
é um facto.
Vou ficar quietinha a ver o Rio
sem me mexer muito,
assim daqui a alguns anos
podemos construir uma casa nova,
como sempre sonhaste,
com tudo o que sempre desejaste...
Façam pouco barulho
porque a esta hora da noite
já tenho algum medo
da escuridão desta casa.
Deixem-me caladinha.
Não olhem para mim.
Ainda tenho tanto que esperar...
numa porta quase destruída pelo tempo,
num degrau de pedra fria
que inundava o meu corpo
de sentimentos redondos como as pedras que me faziam companhia.
Deixei que me cantassem ao ouvido
histórias de amor
que nunca mais vou conhecer,
encostei a cabeça na madeira envelhecida
e descansei
sem medo do que podia acontecer
naquele beco escuro
cheio de casa tradicionais
abandonadas ao Douro que contemplo.
Chguei tarde de mais.
As águas
vão lentas...
Queria ouvir a tua voz
ou simplesmente sentir o teu abraço.
Não queria que mudasses de ideias
quanto ao que sentes...
Queria apenas
uma borracha branca
para apagar todos os traços mal desenhados
da minha vida,
da nossa vida.
Há músicas que dizem,
que um grande amor nunca resulta à primeira.
Que 10 anos depois,
a maturidade é outra
e amor vem com mais força,
com ordem para ficar .
A porta já está velha,
é um facto.
Vou ficar quietinha a ver o Rio
sem me mexer muito,
assim daqui a alguns anos
podemos construir uma casa nova,
como sempre sonhaste,
com tudo o que sempre desejaste...
Façam pouco barulho
porque a esta hora da noite
já tenho algum medo
da escuridão desta casa.
Deixem-me caladinha.
Não olhem para mim.
Ainda tenho tanto que esperar...
wrong way
Não vês a minha vida,
nem a imaginas.
Não somos iguais
mas também não somos diferentes.
Aqui os dias que têm 24 horas
de olhos abertos
por vezes fazem-me sorrir e ser feliz.
Chorar a emoção de vários meses
em família
e perceber que
mesmo nos momentos que desconheces,
nos momentos que não têm ligação contigo,
na minha vida cá...
na vida que tu não sabes qual é,
o que é,
onde se transforma e de que sobrevive,
tu estás sempre presente.
Nos melhores momentos
da minha vida longe de ti,
continuas a ser a principal causa do meu sorriso.
I wish you were here with me *
nem a imaginas.
Não somos iguais
mas também não somos diferentes.
Aqui os dias que têm 24 horas
de olhos abertos
por vezes fazem-me sorrir e ser feliz.
Chorar a emoção de vários meses
em família
e perceber que
mesmo nos momentos que desconheces,
nos momentos que não têm ligação contigo,
na minha vida cá...
na vida que tu não sabes qual é,
o que é,
onde se transforma e de que sobrevive,
tu estás sempre presente.
Nos melhores momentos
da minha vida longe de ti,
continuas a ser a principal causa do meu sorriso.
I wish you were here with me *
sábado, 29 de março de 2008
Flying away from home
Há uma mistura de medos.
Há sonhos e realidades diferentes.
Gosto de ti.
Gosto tanto de ti.
[ sentes o desespero em mim? ]
Olha para mim.
Deixa-me dizer o que sinto,
atende quando ligo
com uma taxa elevada de bebidas
estranhas que me aquecem a alma
e os sentimentos...
Deixa-me dizer.
Deixa-me olhar-te,
suspirar ao teu lado,
abraçar-te...
Por favor,
porque o tempo voa mais alto do que os meus sonhos,
porque se morresse amanhã
queria partir com a noção que imaginas o que sinto,
a dor,
o arrepio,
o coração acelerado em jeito de ataque cardíaco...
Por favor...
Ouve-me...*
Há sonhos e realidades diferentes.
Gosto de ti.
Gosto tanto de ti.
[ sentes o desespero em mim? ]
Olha para mim.
Deixa-me dizer o que sinto,
atende quando ligo
com uma taxa elevada de bebidas
estranhas que me aquecem a alma
e os sentimentos...
Deixa-me dizer.
Deixa-me olhar-te,
suspirar ao teu lado,
abraçar-te...
Por favor,
porque o tempo voa mais alto do que os meus sonhos,
porque se morresse amanhã
queria partir com a noção que imaginas o que sinto,
a dor,
o arrepio,
o coração acelerado em jeito de ataque cardíaco...
Por favor...
Ouve-me...*
quarta-feira, 5 de março de 2008
Momentos
Acordo, o sol já vai alto e ainda tenho uma réstia de sono profundo para gastar. Deixo os minutos passarem por mim quando o cobertor de penas ainda me afoga as mágoas de saudades que trago no quentinho do meu coração.
O telefone toca e com alguma preguiça, estico o braço e vejo que do outro lado do Atlântico alguém sente a minha falta. Atendo. Sinto-me apta para deixas as mágoas no cobertor até a noite.
A noite já se faz sentir e eu ainda estou sentada no mesmo lugar. Sinto-me cansada.
Hoje, queria uma noite das nossas. De amigos, fogueira, praia e choro ou simplesmente risos cúmplices. De estrelas cadentes.
Tenho saudades dos meus. Dos que me viram crescer. Dos que sempre me apoiaram.
Tenho tantas saudades vossas. Tantas.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Gosto do teu perfume logo pela manhã,
da luz do teu olhar quando acordas.
Da alegria que deixas em casa
depois de tomarmos o pequeno-almoço
com os olhos semi-cerrados
castigados com um expresso
mais digno da tua pessoa.
Levamos a chavena
delicadamente a boca
enquanto descansamos o corpo
um no outro.
Sei que gostas que acorde contigo.
Do abraço que te surpreende sempre
quando estás distraída
de olhos postos na rua.
As manhãs são mais bonitas quando sigo
os teus passos de menina certa.
Os pássaros cantam
ao abrirmos a janela.
A música cala-se
no nossos olhar.
Gosto de acordar ao teu lado.
Quando já não tenho lençol
e a minha cama está possuída pelo teu corpo em demasia.
Gosto de ver-te
arrumar o caderno onde escreves
e onde guardas secretamente as nossas fotos
que vês e revês nas aulas.
Não damos as mãos ao sairmos de casa.
Deixamos a nossa história dentro destas 4 paredes
que sabem tão bem o que passamos.
Fechamos a porta a 2 chaves
e seguimos lado a lado
até ao metro.
Falamos de notícias tão parvas
quanto
as tertúlias dos programas matinais.
Sentamo-nos na faculdade e bebemos o segundo café da manhã.
Fingimos ser a primeira,
ninguém sabe.
A última gota.
Damos as mãos
e despedimo-nos por 2 horas
eternas em saudades.
Segues pelo corredor direito
e eu sigo pelo contrário.
Imagino-te no auditório
frente ao meu.
Visão raio-X.
Há um fio de azeite atado aos nossos corações.
Acabamos sempre na mesma casa,
na noite seguinte ao amanhecer discreto.
Ás vezes, sinto saudades
de ouvir-te sussurrar ao meu ouvido
as saudades que sentes
quando olhamos e não podemos sentir a sua intensidade.
' Curto-te TOTIL....'
Já havia mais romantismo na coisa,não?
da luz do teu olhar quando acordas.
Da alegria que deixas em casa
depois de tomarmos o pequeno-almoço
com os olhos semi-cerrados
castigados com um expresso
mais digno da tua pessoa.
Levamos a chavena
delicadamente a boca
enquanto descansamos o corpo
um no outro.
Sei que gostas que acorde contigo.
Do abraço que te surpreende sempre
quando estás distraída
de olhos postos na rua.
As manhãs são mais bonitas quando sigo
os teus passos de menina certa.
Os pássaros cantam
ao abrirmos a janela.
A música cala-se
no nossos olhar.
Gosto de acordar ao teu lado.
Quando já não tenho lençol
e a minha cama está possuída pelo teu corpo em demasia.
Gosto de ver-te
arrumar o caderno onde escreves
e onde guardas secretamente as nossas fotos
que vês e revês nas aulas.
Não damos as mãos ao sairmos de casa.
Deixamos a nossa história dentro destas 4 paredes
que sabem tão bem o que passamos.
Fechamos a porta a 2 chaves
e seguimos lado a lado
até ao metro.
Falamos de notícias tão parvas
quanto
as tertúlias dos programas matinais.
Sentamo-nos na faculdade e bebemos o segundo café da manhã.
Fingimos ser a primeira,
ninguém sabe.
A última gota.
Damos as mãos
e despedimo-nos por 2 horas
eternas em saudades.
Segues pelo corredor direito
e eu sigo pelo contrário.
Imagino-te no auditório
frente ao meu.
Visão raio-X.
Há um fio de azeite atado aos nossos corações.
Acabamos sempre na mesma casa,
na noite seguinte ao amanhecer discreto.
Ás vezes, sinto saudades
de ouvir-te sussurrar ao meu ouvido
as saudades que sentes
quando olhamos e não podemos sentir a sua intensidade.
' Curto-te TOTIL....'
Já havia mais romantismo na coisa,não?
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
O brilho do saxofone, um feixe de luz.
Subi e desci
vezes sem conta,
o caminho da felicidade.
Ao fundo do túnel,
uma sombra
de vela vermelha recheada de perfume
evoca a tua silhueta de menina perfeita.
A música enche-nos a alma
e o coração destroçado
que momentos únicos que não podemos viver.
Há um saxofone ao fundo do túnel.
Toca suavemente
enquanto passo a mão pela tua cara
de menina bem comportada,
de menina meiga e simpática que tem medo de amar.
Deixas que te diga
palavras sussurradas
ao ouvido.
Não há força nos nossos corpos.
Somos só ossos empenhados
em sobreviver ao amor
que nunca imaginavamos podeer existir.
A bailarina
rodopia
à nossa volta
e o suave timbre da tua voz
canta no meu pescoço
o que sentes.
Encostamos os lábios.
Entranhas a tua mão no meu cabelo
e inclinas a minha cabeça ligeiramente
para a direita.
O resto,
o resto não tem definição possível.
Há borboletas
e arrepios.
Há a tua pele fundida na minha.
Há...
paixão.
vezes sem conta,
o caminho da felicidade.
Ao fundo do túnel,
uma sombra
de vela vermelha recheada de perfume
evoca a tua silhueta de menina perfeita.
A música enche-nos a alma
e o coração destroçado
que momentos únicos que não podemos viver.
Há um saxofone ao fundo do túnel.
Toca suavemente
enquanto passo a mão pela tua cara
de menina bem comportada,
de menina meiga e simpática que tem medo de amar.
Deixas que te diga
palavras sussurradas
ao ouvido.
Não há força nos nossos corpos.
Somos só ossos empenhados
em sobreviver ao amor
que nunca imaginavamos podeer existir.
A bailarina
rodopia
à nossa volta
e o suave timbre da tua voz
canta no meu pescoço
o que sentes.
Encostamos os lábios.
Entranhas a tua mão no meu cabelo
e inclinas a minha cabeça ligeiramente
para a direita.
O resto,
o resto não tem definição possível.
Há borboletas
e arrepios.
Há a tua pele fundida na minha.
Há...
paixão.
Três tiros de amo-te
Tive medo, mãe.
Sei que nunca me imaginarias assim,
de coração alterado
com as pernas bambas,
sem o impulso de guerreira que trago sempre ao peito.
Mãe,
o Mundo tremeu.
A força que trazia no corpo
morreu frente à pistola
armada entre os meus dois olhos.
Mãe,
eu senti um arrepio,
o sangue de quente a frio.
Apetecia-me morrer ali.
Inspirei.
Expirei.
Devagar.
Falei com a maior meiguice
que trago na voz
e no coração desarmado
de ti,
dos que amo.
Nenhum está aqui.
Mãe,
porque não estás aqui?
Orgulha-te de mim
como eu orgulho-me de ti.
Falamos devagarinho.
E de mansinho,
a pistola tomou outro caminho
que não o cinzento
dos meus olhos.
O cinzento do chão.
Sem bala,
morri ali.
Sentei-me a cinco metros de casa.
Chorei baixinho
como se não ouvisses.
Mãe.
Preciso tanto do teu colo.
Mãe.
Mãe.
tive tanto medo de te perder.
Amo-te
Sei que nunca me imaginarias assim,
de coração alterado
com as pernas bambas,
sem o impulso de guerreira que trago sempre ao peito.
Mãe,
o Mundo tremeu.
A força que trazia no corpo
morreu frente à pistola
armada entre os meus dois olhos.
Mãe,
eu senti um arrepio,
o sangue de quente a frio.
Apetecia-me morrer ali.
Inspirei.
Expirei.
Devagar.
Falei com a maior meiguice
que trago na voz
e no coração desarmado
de ti,
dos que amo.
Nenhum está aqui.
Mãe,
porque não estás aqui?
Orgulha-te de mim
como eu orgulho-me de ti.
Falamos devagarinho.
E de mansinho,
a pistola tomou outro caminho
que não o cinzento
dos meus olhos.
O cinzento do chão.
Sem bala,
morri ali.
Sentei-me a cinco metros de casa.
Chorei baixinho
como se não ouvisses.
Mãe.
Preciso tanto do teu colo.
Mãe.
Mãe.
tive tanto medo de te perder.
Amo-te
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
O Outono da tua janela
Coordenamos
os nossos passos para que de mãos dadas,
o desfile pela rua seja tão agradável quanto o que transporta o coração.
Há folhas alaranjadas,
avermelhadas
pelo chão.
O dia nasceu há segundos
quando o nosso corpo
se conhecia
por entre os primeiros raios de sol
que inundaram a nossa casa.
Inclinas-te
de braços ao alto
e amarras o meu pescoço
ao bom porto das tuas mãos cruzadas.
O azul dos teus olhos
e o cinzento dos meus
combinam tão bem com os dias perfeitos do verão.
Há momentos que não têm descrição possível.
O silêncio dos corações aos pulos
bombeando sangue
inundado de adrenalina.
Temos o tempo inteiro.
é nosso.
a perfeição de momentos como este.
Perdemos o tempo
e quando colo a testa ao vidro
já o sol vai alto
e as nuvens dos meus olhos
morreram no furacão dos teus.
Brilhamos juntas.
A incerteza da descoberta.
Deslizo a mão pela seda
da tua boca,
descansamos os sulcos do coração
no ombro de cada uma.
Suspiramos.
E as palavras são trocadas
pelo beijo lento,
pelo nascer de raizes nos corações
mortos.
As estrelas brilham
na tarde do primeiro dia
da nossa vida em conjunto.
Há silêncio nos minutos,
há o cansaço do coração,
há o nervosismo.
Abraçamo-nos
e gritamos :
- Gosto do que sou contigo .
os nossos passos para que de mãos dadas,
o desfile pela rua seja tão agradável quanto o que transporta o coração.
Há folhas alaranjadas,
avermelhadas
pelo chão.
O dia nasceu há segundos
quando o nosso corpo
se conhecia
por entre os primeiros raios de sol
que inundaram a nossa casa.
Inclinas-te
de braços ao alto
e amarras o meu pescoço
ao bom porto das tuas mãos cruzadas.
O azul dos teus olhos
e o cinzento dos meus
combinam tão bem com os dias perfeitos do verão.
Há momentos que não têm descrição possível.
O silêncio dos corações aos pulos
bombeando sangue
inundado de adrenalina.
Temos o tempo inteiro.
é nosso.
a perfeição de momentos como este.
Perdemos o tempo
e quando colo a testa ao vidro
já o sol vai alto
e as nuvens dos meus olhos
morreram no furacão dos teus.
Brilhamos juntas.
A incerteza da descoberta.
Deslizo a mão pela seda
da tua boca,
descansamos os sulcos do coração
no ombro de cada uma.
Suspiramos.
E as palavras são trocadas
pelo beijo lento,
pelo nascer de raizes nos corações
mortos.
As estrelas brilham
na tarde do primeiro dia
da nossa vida em conjunto.
Há silêncio nos minutos,
há o cansaço do coração,
há o nervosismo.
Abraçamo-nos
e gritamos :
- Gosto do que sou contigo .
Uptown
De maneira inesperada,
o teu corpo beija o meu.
Deixamos o Mundo
comandado pela música
que não gostas e eu não admiro,
parar de girar nos nossos corações.
o chão escorregadio
e o jogo a que brincamos
ajudam a química nos corações.
Escorregas levemente
para os meus braços.
A minha mão firme
nas tuas costas mantém-te segura,
dona e senhora do Mundo.
Todos olham para o nosso momento
e esquecem os sentimentos puros
que nos inundam.
Sorriso.
Há quem não goste de nos ver assim.
Encostamos as caras,
pele com pele,
poro com poro.
Quase sentimos as lágrimas
uma da outra,
as palavras que só os poros
sentiram.
Suspiramos.
Juntas.
de mãos firmes,
dadas e re-dadas.
Sem palavras.
Beijamos o que mais precioso temos.
Tu,vais em frente.
Eu,volto atrás.
O Mundo deu uma volta completa
e eu ainda não te tenho nos meus braços.
Onde andas?
Podemos simplesmente
voltar ao abraço mais-que-perfeito?
Amanhã. tarde. noite. madrugada.
Dás-me a tua mão?
Tenho saudades de te sentir segura .
o teu corpo beija o meu.
Deixamos o Mundo
comandado pela música
que não gostas e eu não admiro,
parar de girar nos nossos corações.
o chão escorregadio
e o jogo a que brincamos
ajudam a química nos corações.
Escorregas levemente
para os meus braços.
A minha mão firme
nas tuas costas mantém-te segura,
dona e senhora do Mundo.
Todos olham para o nosso momento
e esquecem os sentimentos puros
que nos inundam.
Sorriso.
Há quem não goste de nos ver assim.
Encostamos as caras,
pele com pele,
poro com poro.
Quase sentimos as lágrimas
uma da outra,
as palavras que só os poros
sentiram.
Suspiramos.
Juntas.
de mãos firmes,
dadas e re-dadas.
Sem palavras.
Beijamos o que mais precioso temos.
Tu,vais em frente.
Eu,volto atrás.
O Mundo deu uma volta completa
e eu ainda não te tenho nos meus braços.
Onde andas?
Podemos simplesmente
voltar ao abraço mais-que-perfeito?
Amanhã. tarde. noite. madrugada.
Dás-me a tua mão?
Tenho saudades de te sentir segura .
sábado, 23 de fevereiro de 2008
o teu encontro
Sobes sempre pelo
lado errado da estrada,
fitas o destino
pensando que enganas a rotina.
Chove lá fora,
mantenho-me sempre no
lugar de sempre
e tu nem questionas
o porquê.
Crias histórias,
contos de fadas
nessa tua cabecinha
de criança inacabada,
andas irregularmente
pelos caminhos estreitos que a tua cidade
possui.
Cantas,
escreves,
coses momentos
eternos nos teus sonhos...
Vejo-te ir e voltar e sem ler a tua mente ao longe
sei o que sonhas.
Ele não te ouve, nem sabe que pensas nele.
Tu vestes o teu vestido justo
com as meias pretas que
nunca gostaste de sentir, só para que olhem para ti.
Encontram-se.
O teu leve suspiro
ao vê-lo denuncia-te
e sem saberes que reparei
cruzas o olhar com o meu
e sorrimos.
Sei que sentes segurança
ao ver-me ao teu lado.
Sei que quando chegarmos
ao nosso porto seguro
irás falar do que sentiste
como se fosse a primeira vez.
Sorrimos.
Sinto o teu coração bater
descontroladamente
e acalmo-o
dizendo que estás ainda mais bonita
do que nos dias em que nos encontramos
depois de mais um dia
de trabalho,
de estudo,
de idas e voltas
por ruas estranhas,
por calçadas soturnas
que iluminas com os teus sonhos.
Ele não sabe.
Ele nunca irá perceber
que quando o abraças o Mundo gira devagar,
que esqueces o ritmo
da tua respiração
misturado com a dele.
Ele olha para ti
quando distraídamente levas o copo à boca
e degustas a cerveja
que mostra-se agressiva
por ser a primeira.
Ao fim de muitas,
já falam fluentemente
e encantam-se mutuamente com
o que vos torna especiais.
Apaixonaste
pela vigésima vez pelo teu príncipe.
Agarras-me na mão
e entusiasmada
contas-me o que já sabia
ouvir.
lado errado da estrada,
fitas o destino
pensando que enganas a rotina.
Chove lá fora,
mantenho-me sempre no
lugar de sempre
e tu nem questionas
o porquê.
Crias histórias,
contos de fadas
nessa tua cabecinha
de criança inacabada,
andas irregularmente
pelos caminhos estreitos que a tua cidade
possui.
Cantas,
escreves,
coses momentos
eternos nos teus sonhos...
Vejo-te ir e voltar e sem ler a tua mente ao longe
sei o que sonhas.
Ele não te ouve, nem sabe que pensas nele.
Tu vestes o teu vestido justo
com as meias pretas que
nunca gostaste de sentir, só para que olhem para ti.
Encontram-se.
O teu leve suspiro
ao vê-lo denuncia-te
e sem saberes que reparei
cruzas o olhar com o meu
e sorrimos.
Sei que sentes segurança
ao ver-me ao teu lado.
Sei que quando chegarmos
ao nosso porto seguro
irás falar do que sentiste
como se fosse a primeira vez.
Sorrimos.
Sinto o teu coração bater
descontroladamente
e acalmo-o
dizendo que estás ainda mais bonita
do que nos dias em que nos encontramos
depois de mais um dia
de trabalho,
de estudo,
de idas e voltas
por ruas estranhas,
por calçadas soturnas
que iluminas com os teus sonhos.
Ele não sabe.
Ele nunca irá perceber
que quando o abraças o Mundo gira devagar,
que esqueces o ritmo
da tua respiração
misturado com a dele.
Ele olha para ti
quando distraídamente levas o copo à boca
e degustas a cerveja
que mostra-se agressiva
por ser a primeira.
Ao fim de muitas,
já falam fluentemente
e encantam-se mutuamente com
o que vos torna especiais.
Apaixonaste
pela vigésima vez pelo teu príncipe.
Agarras-me na mão
e entusiasmada
contas-me o que já sabia
ouvir.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
A terceira casa é sempre a mais segura
meia noite. vinte e sete minutos. 23 dias. segundo mês.
Porto. Cidade Invicta. Segunda casa.
Conta o dia pelos dedos. as horas e os minutos numa voz irritante
que nunca te abandona.
Chegámos a ser irritantes, estes pensamentos que nos controlam.
Leve desconforto
no organismo.
A soturnidade da estação
que todos os dias
sente o meu perfume.
Frieza.
Sinto-me sem porto. sem amarras.
sem vida e sem objectivos.
vivo.
vazio.
Estranho.
cada passo, cada suspiro,
cada sussurro.
engano o vento com o olhar,
leva a mensagem,
só quero chegar.
E quando sentir os teus braços,
o teu calor,
a tua luz,
cor,vida,pureza...
Aí, ninguém verá
o animal suspirar.
tenho saudades do que sou contigo.
tenho saudades de proteger-te
e escapar-me
para os teus braços
quando o Mundo caí.
Como sinto a tua falta.
como sinto o frio rasgar.
3 passos
em tábua longínqua,
shiuuuuuuuuu....
Se for para morrer,
que seja no terceiro e último .
No calor do teu leito,
que nunca me viu
chorar.
chorar.
amor. orgulho. vida. Mundo. Universo.
... shiu.
Tu para mim és tudo, preenches o pouco que tenho.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Acorda-me.
Primeiro sentei-me.
Lutei contra o sono
e fiz planos para a tarde.
Os olhos estão pesados,
as pálpebras
semi-cerradas
combatem a vida.
Enrosco-me
e deixo-me
levar pelos sonhos.
Chego a ter medo
de não acordar.
E se não acordar?
Sentirei falta do frio matinal?
Das 12 horas de sono?
Das gargalhadas temporárias?
Se não acordar...
Quando chegares a casa,
será que notas
a minha falta de oxigénio?
Será que serás digno
de mostrar ao Mundo que afinal gostavas de mim?
Se não acordar
quando chegares a casa,
lembra-te que cada dia que passa
e ignoras as minhas lágrimas,
será apenas mais um motivo .
Como podemos ser tão diferentes?
Cumpre a tua missão.
Ao menos, acorda-me.
Lutei contra o sono
e fiz planos para a tarde.
Os olhos estão pesados,
as pálpebras
semi-cerradas
combatem a vida.
Enrosco-me
e deixo-me
levar pelos sonhos.
Chego a ter medo
de não acordar.
E se não acordar?
Sentirei falta do frio matinal?
Das 12 horas de sono?
Das gargalhadas temporárias?
Se não acordar...
Quando chegares a casa,
será que notas
a minha falta de oxigénio?
Será que serás digno
de mostrar ao Mundo que afinal gostavas de mim?
Se não acordar
quando chegares a casa,
lembra-te que cada dia que passa
e ignoras as minhas lágrimas,
será apenas mais um motivo .
Como podemos ser tão diferentes?
Cumpre a tua missão.
Ao menos, acorda-me.
Cortaram o asfalto que pisas.
Tu não sentes.
Nem sabes que existe.
Acabas por seguir.
Devagar.
Corres
por entre a multidão
nesses teus pensamentos
tão profundos
quanto as musicas
que ouves.
Está tudo a parar
e tu não finges
que os olhares não
estão focados
no teu pullover encarnado.
Soa um apito
estridente
na tua música calma.
Assustado
com o Mundo
manchado de terror
em cada esquina,
este Mundo que não te viu crescer,
deixas o corpo perder a força
e sentas-te no chão.
Não sabes o que se passa,
se realmente se passa.
E a música
grita
sempre
da mesma maneira,
nos teus ouvidos.
Tens medo do que possa acontecer.
Encolhes-te.
Finges
fitar o medo
na voz doce
que arrepia.
Outro apito.
Ainda mais forte,
perturba os teus pensamentos.
Cerras as mãos
na ambivalência
do clima que criaste.
Fazes força
ao cerrar o punho.
Há polícia.
Há carros em cima de carros
e homens
que gestualmente dizem
os que vêm para parar.
O caminho deste lado
está impróprio
para cardíacos,
tu saberias disso
se não fingisses ser o dono do Mundo
quando aquela voz de anjo
apodera-se do teu corpo
e flutuas por entre a multidão.
Não estás só.
Na tua perspectiva,
há pernas.
Muitas mais pernas do que as tuas...
mas, não tremem.
Não definem o músculo de medo.
Em segundos,
sentes o forte barulho
e saltas poucos centímetros do chão.
Explodiu.
A bomba explodiu.
Fechas os olhos
como se o tempo não evoluísse
no escuro.
Nada.
Não reages.
Lembras-te dos que amas,
dos corações que fazem companhia ao teu...
A bomba explodiu, meu amor.
E com os olhos cerrados,
coração em constantes assaltos repentinos,
choras o tempo
que tiveste
e não soubeste usar.
Impulso violento,este.
Mártir.
Este terror,
deixa-te sem palavras
e o tempo não tem marcha-atrás.
Vertes lágrimas
que o azul dos teus olhos não
consegue controlar.
O teu Mundo explodiu,
tu morreste
de olhos fechados,
encostado a algo frio
e,
só depois de morto
abres os olhos
à antiga realidade.
é tarde,meu amor.
és alma.
Pairas por aí.
Meu amor,
no meu tempo morto
deixo-te o que ficou de mim
quando a bomba explodiu
e eu encolhi-me com medo
sem ter tempo para te dizer...
Que a voz suave que me faz esquecer o Mundo
é a tua.
Quando cantavas ao meu ouvido
para que adormecesse.
Um beijo de quem morre
de olhos fechados.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Os nossos amores
* Juca - Porque choras sempre que olhas pela janela?
* Lua : - Oh não sejas parvo. Eu não estou a chorar, estou constipada, o ar condicionado lá da faculdade . . .
*Juca : - Bla bla bla.... Importas-te muito de dizer a verdade?
* Lua : - Oh...Lembrei-me de coisas do passado...
* Juca : - Ela nunca te saiu do pensamento, sei que davas a alma ao diabo para tê-la de volta...
* Lua : - Deixa-te de coisas. * nó na garganta *
* Juca : - Porque não a esqueces?
* Lua : - Porque se é o amor da minha vida, nunca a vou esquecer. Nem quero.
* Juca : - Ah...então já percebi porque raio é que nunca deixo de pensar em comida. É o amor da minha vida!!!!
* Lua : - Por favor....Eu queria um cão NORMAL!!!!!!
* Juca : - Ah,ah,aaahh!!! Inbejosa ! :) *
* Lua : - Oh não sejas parvo. Eu não estou a chorar, estou constipada, o ar condicionado lá da faculdade . . .
*Juca : - Bla bla bla.... Importas-te muito de dizer a verdade?
* Lua : - Oh...Lembrei-me de coisas do passado...
* Juca : - Ela nunca te saiu do pensamento, sei que davas a alma ao diabo para tê-la de volta...
* Lua : - Deixa-te de coisas. * nó na garganta *
* Juca : - Porque não a esqueces?
* Lua : - Porque se é o amor da minha vida, nunca a vou esquecer. Nem quero.
* Juca : - Ah...então já percebi porque raio é que nunca deixo de pensar em comida. É o amor da minha vida!!!!
* Lua : - Por favor....Eu queria um cão NORMAL!!!!!!
* Juca : - Ah,ah,aaahh!!! Inbejosa ! :) *
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