Cortaram o asfalto que pisas.
Tu não sentes.
Nem sabes que existe.
Acabas por seguir.
Devagar.
Corres
por entre a multidão
nesses teus pensamentos
tão profundos
quanto as musicas
que ouves.
Está tudo a parar
e tu não finges
que os olhares não
estão focados
no teu pullover encarnado.
Soa um apito
estridente
na tua música calma.
Assustado
com o Mundo
manchado de terror
em cada esquina,
este Mundo que não te viu crescer,
deixas o corpo perder a força
e sentas-te no chão.
Não sabes o que se passa,
se realmente se passa.
E a música
grita
sempre
da mesma maneira,
nos teus ouvidos.
Tens medo do que possa acontecer.
Encolhes-te.
Finges
fitar o medo
na voz doce
que arrepia.
Outro apito.
Ainda mais forte,
perturba os teus pensamentos.
Cerras as mãos
na ambivalência
do clima que criaste.
Fazes força
ao cerrar o punho.
Há polícia.
Há carros em cima de carros
e homens
que gestualmente dizem
os que vêm para parar.
O caminho deste lado
está impróprio
para cardíacos,
tu saberias disso
se não fingisses ser o dono do Mundo
quando aquela voz de anjo
apodera-se do teu corpo
e flutuas por entre a multidão.
Não estás só.
Na tua perspectiva,
há pernas.
Muitas mais pernas do que as tuas...
mas, não tremem.
Não definem o músculo de medo.
Em segundos,
sentes o forte barulho
e saltas poucos centímetros do chão.
Explodiu.
A bomba explodiu.
Fechas os olhos
como se o tempo não evoluísse
no escuro.
Nada.
Não reages.
Lembras-te dos que amas,
dos corações que fazem companhia ao teu...
A bomba explodiu, meu amor.
E com os olhos cerrados,
coração em constantes assaltos repentinos,
choras o tempo
que tiveste
e não soubeste usar.
Impulso violento,este.
Mártir.
Este terror,
deixa-te sem palavras
e o tempo não tem marcha-atrás.
Vertes lágrimas
que o azul dos teus olhos não
consegue controlar.
O teu Mundo explodiu,
tu morreste
de olhos fechados,
encostado a algo frio
e,
só depois de morto
abres os olhos
à antiga realidade.
é tarde,meu amor.
és alma.
Pairas por aí.
Meu amor,
no meu tempo morto
deixo-te o que ficou de mim
quando a bomba explodiu
e eu encolhi-me com medo
sem ter tempo para te dizer...
Que a voz suave que me faz esquecer o Mundo
é a tua.
Quando cantavas ao meu ouvido
para que adormecesse.
Um beijo de quem morre
de olhos fechados.


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