quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Cortaram o asfalto que pisas.
Tu não sentes.

Nem sabes que existe.


Acabas por seguir.

Devagar.


Corres

por entre a multidão

nesses teus pensamentos

tão profundos

quanto as musicas

que ouves.


Está tudo a parar

e tu não finges

que os olhares não

estão focados

no teu pullover encarnado.


Soa um apito

estridente

na tua música calma.


Assustado

com o Mundo

manchado de terror

em cada esquina,

este Mundo que não te viu crescer,

deixas o corpo perder a força

e sentas-te no chão.


Não sabes o que se passa,

se realmente se passa.

E a música

grita

sempre

da mesma maneira,

nos teus ouvidos.


Tens medo do que possa acontecer.

Encolhes-te.

Finges

fitar o medo

na voz doce

que arrepia.


Outro apito.

Ainda mais forte,

perturba os teus pensamentos.


Cerras as mãos

na ambivalência

do clima que criaste.


Fazes força

ao cerrar o punho.


Há polícia.

Há carros em cima de carros

e homens

que gestualmente dizem

os que vêm para parar.


O caminho deste lado

está impróprio

para cardíacos,

tu saberias disso

se não fingisses ser o dono do Mundo

quando aquela voz de anjo

apodera-se do teu corpo

e flutuas por entre a multidão.


Não estás só.


Na tua perspectiva,

há pernas.

Muitas mais pernas do que as tuas...

mas, não tremem.

Não definem o músculo de medo.


Em segundos,

sentes o forte barulho

e saltas poucos centímetros do chão.


Explodiu.

A bomba explodiu.


Fechas os olhos

como se o tempo não evoluísse

no escuro.


Nada.

Não reages.

Lembras-te dos que amas,

dos corações que fazem companhia ao teu...


A bomba explodiu, meu amor.

E com os olhos cerrados,

coração em constantes assaltos repentinos,

choras o tempo

que tiveste

e não soubeste usar.


Impulso violento,este.

Mártir.


Este terror,

deixa-te sem palavras

e o tempo não tem marcha-atrás.


Vertes lágrimas

que o azul dos teus olhos não

consegue controlar.


O teu Mundo explodiu,

tu morreste

de olhos fechados,

encostado a algo frio

e,

só depois de morto

abres os olhos

à antiga realidade.


é tarde,meu amor.

és alma.

Pairas por aí.


Meu amor,

no meu tempo morto

deixo-te o que ficou de mim

quando a bomba explodiu

e eu encolhi-me com medo

sem ter tempo para te dizer...


Que a voz suave que me faz esquecer o Mundo

é a tua.


Quando cantavas ao meu ouvido

para que adormecesse.


Um beijo de quem morre

de olhos fechados.








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