quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O Outono da tua janela

Coordenamos
os nossos passos para que de mãos dadas,
o desfile pela rua seja tão agradável quanto o que transporta o coração.

Há folhas alaranjadas,
avermelhadas
pelo chão.
O dia nasceu há segundos
quando o nosso corpo
se conhecia
por entre os primeiros raios de sol
que inundaram a nossa casa.

Inclinas-te
de braços ao alto
e amarras o meu pescoço
ao bom porto das tuas mãos cruzadas.

O azul dos teus olhos
e o cinzento dos meus
combinam tão bem com os dias perfeitos do verão.

Há momentos que não têm descrição possível.
O silêncio dos corações aos pulos
bombeando sangue
inundado de adrenalina.

Temos o tempo inteiro.
é nosso.
a perfeição de momentos como este.
Perdemos o tempo
e quando colo a testa ao vidro
já o sol vai alto
e as nuvens dos meus olhos
morreram no furacão dos teus.

Brilhamos juntas.
A incerteza da descoberta.

Deslizo a mão pela seda
da tua boca,
descansamos os sulcos do coração
no ombro de cada uma.

Suspiramos.
E as palavras são trocadas
pelo beijo lento,
pelo nascer de raizes nos corações
mortos.

As estrelas brilham
na tarde do primeiro dia
da nossa vida em conjunto.

Há silêncio nos minutos,
há o cansaço do coração,
há o nervosismo.

Abraçamo-nos
e gritamos :
- Gosto do que sou contigo .

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