sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Gosto do teu perfume logo pela manhã,
da luz do teu olhar quando acordas.
Da alegria que deixas em casa
depois de tomarmos o pequeno-almoço
com os olhos semi-cerrados
castigados com um expresso
mais digno da tua pessoa.

Levamos a chavena
delicadamente a boca
enquanto descansamos o corpo
um no outro.

Sei que gostas que acorde contigo.
Do abraço que te surpreende sempre
quando estás distraída
de olhos postos na rua.

As manhãs são mais bonitas quando sigo
os teus passos de menina certa.
Os pássaros cantam
ao abrirmos a janela.
A música cala-se
no nossos olhar.

Gosto de acordar ao teu lado.
Quando já não tenho lençol
e a minha cama está possuída pelo teu corpo em demasia.

Gosto de ver-te
arrumar o caderno onde escreves
e onde guardas secretamente as nossas fotos
que vês e revês nas aulas.
Não damos as mãos ao sairmos de casa.

Deixamos a nossa história dentro destas 4 paredes
que sabem tão bem o que passamos.
Fechamos a porta a 2 chaves
e seguimos lado a lado
até ao metro.

Falamos de notícias tão parvas
quanto
as tertúlias dos programas matinais.

Sentamo-nos na faculdade e bebemos o segundo café da manhã.
Fingimos ser a primeira,
ninguém sabe.

A última gota.
Damos as mãos
e despedimo-nos por 2 horas
eternas em saudades.

Segues pelo corredor direito
e eu sigo pelo contrário.

Imagino-te no auditório
frente ao meu.
Visão raio-X.

Há um fio de azeite atado aos nossos corações.
Acabamos sempre na mesma casa,
na noite seguinte ao amanhecer discreto.
Ás vezes, sinto saudades
de ouvir-te sussurrar ao meu ouvido
as saudades que sentes
quando olhamos e não podemos sentir a sua intensidade.

' Curto-te TOTIL....'
Já havia mais romantismo na coisa,não?

Um beijo oco

Beijas-me os lábios
suave e demoradamente
mesmo sabendo que
nunca serão teus.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

O brilho do saxofone, um feixe de luz.

Subi e desci
vezes sem conta,
o caminho da felicidade.

Ao fundo do túnel,
uma sombra
de vela vermelha recheada de perfume
evoca a tua silhueta de menina perfeita.

A música enche-nos a alma
e o coração destroçado
que momentos únicos que não podemos viver.

Há um saxofone ao fundo do túnel.
Toca suavemente
enquanto passo a mão pela tua cara
de menina bem comportada,
de menina meiga e simpática que tem medo de amar.

Deixas que te diga
palavras sussurradas
ao ouvido.

Não há força nos nossos corpos.
Somos só ossos empenhados
em sobreviver ao amor
que nunca imaginavamos podeer existir.

A bailarina
rodopia
à nossa volta
e o suave timbre da tua voz
canta no meu pescoço
o que sentes.

Encostamos os lábios.
Entranhas a tua mão no meu cabelo
e inclinas a minha cabeça ligeiramente
para a direita.

O resto,
o resto não tem definição possível.
Há borboletas
e arrepios.
Há a tua pele fundida na minha.
Há...
paixão.

Três tiros de amo-te

Tive medo, mãe.
Sei que nunca me imaginarias assim,
de coração alterado
com as pernas bambas,
sem o impulso de guerreira que trago sempre ao peito.

Mãe,
o Mundo tremeu.

A força que trazia no corpo
morreu frente à pistola
armada entre os meus dois olhos.

Mãe,
eu senti um arrepio,
o sangue de quente a frio.

Apetecia-me morrer ali.

Inspirei.
Expirei.
Devagar.

Falei com a maior meiguice
que trago na voz
e no coração desarmado
de ti,
dos que amo.
Nenhum está aqui.

Mãe,
porque não estás aqui?

Orgulha-te de mim
como eu orgulho-me de ti.

Falamos devagarinho.
E de mansinho,
a pistola tomou outro caminho
que não o cinzento
dos meus olhos.
O cinzento do chão.

Sem bala,
morri ali.

Sentei-me a cinco metros de casa.
Chorei baixinho
como se não ouvisses.

Mãe.
Preciso tanto do teu colo.
Mãe.
Mãe.
tive tanto medo de te perder.

Amo-te

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O Outono da tua janela

Coordenamos
os nossos passos para que de mãos dadas,
o desfile pela rua seja tão agradável quanto o que transporta o coração.

Há folhas alaranjadas,
avermelhadas
pelo chão.
O dia nasceu há segundos
quando o nosso corpo
se conhecia
por entre os primeiros raios de sol
que inundaram a nossa casa.

Inclinas-te
de braços ao alto
e amarras o meu pescoço
ao bom porto das tuas mãos cruzadas.

O azul dos teus olhos
e o cinzento dos meus
combinam tão bem com os dias perfeitos do verão.

Há momentos que não têm descrição possível.
O silêncio dos corações aos pulos
bombeando sangue
inundado de adrenalina.

Temos o tempo inteiro.
é nosso.
a perfeição de momentos como este.
Perdemos o tempo
e quando colo a testa ao vidro
já o sol vai alto
e as nuvens dos meus olhos
morreram no furacão dos teus.

Brilhamos juntas.
A incerteza da descoberta.

Deslizo a mão pela seda
da tua boca,
descansamos os sulcos do coração
no ombro de cada uma.

Suspiramos.
E as palavras são trocadas
pelo beijo lento,
pelo nascer de raizes nos corações
mortos.

As estrelas brilham
na tarde do primeiro dia
da nossa vida em conjunto.

Há silêncio nos minutos,
há o cansaço do coração,
há o nervosismo.

Abraçamo-nos
e gritamos :
- Gosto do que sou contigo .

Uptown

De maneira inesperada,
o teu corpo beija o meu.
Deixamos o Mundo
comandado pela música
que não gostas e eu não admiro,
parar de girar nos nossos corações.

o chão escorregadio
e o jogo a que brincamos
ajudam a química nos corações.

Escorregas levemente
para os meus braços.
A minha mão firme
nas tuas costas mantém-te segura,
dona e senhora do Mundo.
Todos olham para o nosso momento
e esquecem os sentimentos puros
que nos inundam.

Sorriso.
Há quem não goste de nos ver assim.

Encostamos as caras,
pele com pele,
poro com poro.
Quase sentimos as lágrimas
uma da outra,
as palavras que só os poros
sentiram.

Suspiramos.
Juntas.
de mãos firmes,
dadas e re-dadas.

Sem palavras.
Beijamos o que mais precioso temos.

Tu,vais em frente.
Eu,volto atrás.

O Mundo deu uma volta completa
e eu ainda não te tenho nos meus braços.

Onde andas?
Podemos simplesmente
voltar ao abraço mais-que-perfeito?


Amanhã. tarde. noite. madrugada.

Dás-me a tua mão?
Tenho saudades de te sentir segura .

sábado, 23 de fevereiro de 2008

o teu encontro

Sobes sempre pelo
lado errado da estrada,
fitas o destino
pensando que enganas a rotina.

Chove lá fora,
mantenho-me sempre no
lugar de sempre
e tu nem questionas
o porquê.

Crias histórias,
contos de fadas
nessa tua cabecinha
de criança inacabada,
andas irregularmente
pelos caminhos estreitos que a tua cidade
possui.
Cantas,
escreves,
coses momentos
eternos nos teus sonhos...
Vejo-te ir e voltar e sem ler a tua mente ao longe
sei o que sonhas.

Ele não te ouve, nem sabe que pensas nele.
Tu vestes o teu vestido justo
com as meias pretas que
nunca gostaste de sentir, só para que olhem para ti.

Encontram-se.
O teu leve suspiro
ao vê-lo denuncia-te
e sem saberes que reparei
cruzas o olhar com o meu
e sorrimos.

Sei que sentes segurança
ao ver-me ao teu lado.
Sei que quando chegarmos
ao nosso porto seguro
irás falar do que sentiste
como se fosse a primeira vez.

Sorrimos.
Sinto o teu coração bater
descontroladamente
e acalmo-o
dizendo que estás ainda mais bonita
do que nos dias em que nos encontramos
depois de mais um dia
de trabalho,
de estudo,
de idas e voltas
por ruas estranhas,
por calçadas soturnas
que iluminas com os teus sonhos.

Ele não sabe.
Ele nunca irá perceber
que quando o abraças o Mundo gira devagar,
que esqueces o ritmo
da tua respiração
misturado com a dele.

Ele olha para ti
quando distraídamente levas o copo à boca
e degustas a cerveja
que mostra-se agressiva
por ser a primeira.

Ao fim de muitas,
já falam fluentemente
e encantam-se mutuamente com
o que vos torna especiais.
Apaixonaste
pela vigésima vez pelo teu príncipe.

Agarras-me na mão
e entusiasmada
contas-me o que já sabia
ouvir.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

A terceira casa é sempre a mais segura

meia noite. vinte e sete minutos. 23 dias. segundo mês.



Porto. Cidade Invicta. Segunda casa.
Conta o dia pelos dedos. as horas e os minutos numa voz irritante
que nunca te abandona.

Chegámos a ser irritantes, estes pensamentos que nos controlam.
Leve desconforto
no organismo.

A soturnidade da estação
que todos os dias
sente o meu perfume.
Frieza.


Sinto-me sem porto. sem amarras.
sem vida e sem objectivos.
vivo.
vazio.

Estranho.
cada passo, cada suspiro,
cada sussurro.
engano o vento com o olhar,
leva a mensagem,
só quero chegar.
E quando sentir os teus braços,
o teu calor,
a tua luz,
cor,vida,pureza...
Aí, ninguém verá
o animal suspirar.


tenho saudades do que sou contigo.
tenho saudades de proteger-te
e escapar-me
para os teus braços
quando o Mundo caí.


Como sinto a tua falta.
como sinto o frio rasgar.
3 passos
em tábua longínqua,

shiuuuuuuuuu....
Se for para morrer,
que seja no terceiro e último .

No calor do teu leito,
que nunca me viu
chorar.

amor. orgulho. vida. Mundo. Universo.


... shiu.

Tu para mim és tudo, preenches o pouco que tenho.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Acorda-me.

Primeiro sentei-me.
Lutei contra o sono
e fiz planos para a tarde.

Os olhos estão pesados,
as pálpebras
semi-cerradas
combatem a vida.

Enrosco-me
e deixo-me
levar pelos sonhos.

Chego a ter medo
de não acordar.

E se não acordar?
Sentirei falta do frio matinal?
Das 12 horas de sono?
Das gargalhadas temporárias?

Se não acordar...

Quando chegares a casa,
será que notas
a minha falta de oxigénio?

Será que serás digno
de mostrar ao Mundo que afinal gostavas de mim?

Se não acordar
quando chegares a casa,
lembra-te que cada dia que passa
e ignoras as minhas lágrimas,
será apenas mais um motivo .

Como podemos ser tão diferentes?

Cumpre a tua missão.
Ao menos, acorda-me.
Cortaram o asfalto que pisas.
Tu não sentes.

Nem sabes que existe.


Acabas por seguir.

Devagar.


Corres

por entre a multidão

nesses teus pensamentos

tão profundos

quanto as musicas

que ouves.


Está tudo a parar

e tu não finges

que os olhares não

estão focados

no teu pullover encarnado.


Soa um apito

estridente

na tua música calma.


Assustado

com o Mundo

manchado de terror

em cada esquina,

este Mundo que não te viu crescer,

deixas o corpo perder a força

e sentas-te no chão.


Não sabes o que se passa,

se realmente se passa.

E a música

grita

sempre

da mesma maneira,

nos teus ouvidos.


Tens medo do que possa acontecer.

Encolhes-te.

Finges

fitar o medo

na voz doce

que arrepia.


Outro apito.

Ainda mais forte,

perturba os teus pensamentos.


Cerras as mãos

na ambivalência

do clima que criaste.


Fazes força

ao cerrar o punho.


Há polícia.

Há carros em cima de carros

e homens

que gestualmente dizem

os que vêm para parar.


O caminho deste lado

está impróprio

para cardíacos,

tu saberias disso

se não fingisses ser o dono do Mundo

quando aquela voz de anjo

apodera-se do teu corpo

e flutuas por entre a multidão.


Não estás só.


Na tua perspectiva,

há pernas.

Muitas mais pernas do que as tuas...

mas, não tremem.

Não definem o músculo de medo.


Em segundos,

sentes o forte barulho

e saltas poucos centímetros do chão.


Explodiu.

A bomba explodiu.


Fechas os olhos

como se o tempo não evoluísse

no escuro.


Nada.

Não reages.

Lembras-te dos que amas,

dos corações que fazem companhia ao teu...


A bomba explodiu, meu amor.

E com os olhos cerrados,

coração em constantes assaltos repentinos,

choras o tempo

que tiveste

e não soubeste usar.


Impulso violento,este.

Mártir.


Este terror,

deixa-te sem palavras

e o tempo não tem marcha-atrás.


Vertes lágrimas

que o azul dos teus olhos não

consegue controlar.


O teu Mundo explodiu,

tu morreste

de olhos fechados,

encostado a algo frio

e,

só depois de morto

abres os olhos

à antiga realidade.


é tarde,meu amor.

és alma.

Pairas por aí.


Meu amor,

no meu tempo morto

deixo-te o que ficou de mim

quando a bomba explodiu

e eu encolhi-me com medo

sem ter tempo para te dizer...


Que a voz suave que me faz esquecer o Mundo

é a tua.


Quando cantavas ao meu ouvido

para que adormecesse.


Um beijo de quem morre

de olhos fechados.