as noites são, por vezes, longas. são milhares e milhares de notas soltas que vagueiam por ai, dispersas de um piano tocado por vinte dedos, em jeito eufórico. deixam-nos assim, freneticamente alucinados.
são músicas, são textos. recordam-nos uma vida, provavelmente, passada. já não vestígios, detritos, nada, nada de nada.
são recordações, memórias. como quem não quer ver o futuro com medo de perder, com medo de não reter, assim são todos os nossos momentos, o receio.
o quer ir com medo de não mais viver. todos são assim, a adrenalina de ir com a reticência de nunca mais poder sentir o sabor daquele instante.
o olhar para trás, quem sabe olhar sem uma lágrima verter?
as brincadeiras, as loucuras, a ansiedade vivida, o sangue perdido por todo o corpo a pulsar. aí, como fomos felizes!
os que ficam e os que vão, os que deixam saudade e os que deixam indiferença. tudo um dia acaba por perder o significado, quando o mesmo não o traz. ficam os olhares, a leve brisa do final de setembro, o cheiro da maresia, o corpo aliado à natureza. os momentos, quem deseja o dia de amanhã mais do que o hoje? e depois, o que será? quem irá, que lágrimas, que arrependimento surgirá?
quem inventou o dia de amanhã? quem?
quantos dias andaria, eu, para trás?quantos e quantos...
nesses dias em que estavas ao meu lado. os dias em que chorei, por imaginar, perder-te, enquanto estavas ali. os dias em que o me coração sufocava por ti, pela tua falta, as horas que lembrei-me de ti, os dias que deitada fiquei à tua espera, os dias...
e agora? que volta dar?
esperar, um dia hás-de voltar a estar comigo, naqueles dias em que juntos brincamos, em que juntos choramos, em que juntos vivemos.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
caiu e partiu. o vaso partiu.
somos todos assim, uma espécie de junção de mil e uma coisas, umas defeituosas, outras tão perfeitas.
esta sou eu. esta és tu. somos.
há sempre uma falha na hora da volta. são os dias menos espessos, menos escorregadios, menos nossos. deixamos para trás, pela milésima vez, uma outra vida.
aquela vida. a quase perfeita.
e assim, mudamos todos de vidas. quando há uma volta, uma chegada e uma partida.
deixam-nos a parte em que nos acariciam a alma, o sorriso sincero, o calor de um abraço, as simples idas e voltas à nossa presença.
alteram-nos a rotina.
o aconchegar do coração.
e quando há a volta, mais uma partida, ficamos assim. sem pés a segurar a Terra. com o aperto na garganta. com as lágrimas, em jeito de mordida de lábio, no adeus.
assim.
esta sou eu. esta és tu. somos.
há sempre uma falha na hora da volta. são os dias menos espessos, menos escorregadios, menos nossos. deixamos para trás, pela milésima vez, uma outra vida.
aquela vida. a quase perfeita.
e assim, mudamos todos de vidas. quando há uma volta, uma chegada e uma partida.
deixam-nos a parte em que nos acariciam a alma, o sorriso sincero, o calor de um abraço, as simples idas e voltas à nossa presença.
alteram-nos a rotina.
o aconchegar do coração.
e quando há a volta, mais uma partida, ficamos assim. sem pés a segurar a Terra. com o aperto na garganta. com as lágrimas, em jeito de mordida de lábio, no adeus.
assim.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
gosto de ti mas não gosto
Dá-me um abraço só porque sim. Dá-me um beijo só porque sim.
Gosto de ti mas não gosto. Gosto quando me abraças e sinto que gostas do mesmo assim. Gosto do cheiro do teu coração em dias de chuva intensa, de mel escorregadio, das paisagens vazias.
é proibido deixar o tempo voar sem que tenhamos cinco minutos de pleno voo só nosso. Passo pela tua casa. Não teras de andar muito. Só pelo cheiro do fim de tarde. Só porque sim.
Que achas? é proibido amar assim?
'gosto de ti mas só quando me dás bolachas. eu amo-te mas não gosto de ti sempre. só quando me dás bolachas'
Gosto de ti mas não gosto. Gosto quando me abraças e sinto que gostas do mesmo assim. Gosto do cheiro do teu coração em dias de chuva intensa, de mel escorregadio, das paisagens vazias.
é proibido deixar o tempo voar sem que tenhamos cinco minutos de pleno voo só nosso. Passo pela tua casa. Não teras de andar muito. Só pelo cheiro do fim de tarde. Só porque sim.
Que achas? é proibido amar assim?
'gosto de ti mas só quando me dás bolachas. eu amo-te mas não gosto de ti sempre. só quando me dás bolachas'
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