Ouviste? é hoje.
vi o meu corpo rodopiar entre pequenas piruetas, entre pequenos e intensos saltos.
Soube distinguir o seu respirar por entre a multidão, soube ouvir os seus sussuros como lindas canções de amor, ou simplesmente o seu olhar, que atravessou milhões para casar com o meu. Já as pernas descoordenadas com o miocardio, corriam no sentido oposto ao da multidão. Levemente, o primeiro impulso deixa arrepios no corpo. 'esta é a nossa decisão, viver euforicamente e morrer jovens.'
Sei o quanto aqueles dois diamantes brutos podem desmoronar tudo o que trago fielmente guardado em mim. Saúdamos os deuses em jeito de desafio, entre copo sim e copo não.
Agora sim. Hoje. Já os passos eram flutuantes e os sorrisos em quantidade desmesurada, já os 'pequenos' pressentimentos eram confundidos.
Diz-me. Tenho poucas horas e muita coisa para dizer. Diz-me. Chego a tempo, se partir agora?
Sim, eu sei. Marte fica longe para ir a pé, mas eu preciso. É hoje. Eu sei que é. Deixa-me partir.
Já sei as palavras que posso usar para descrever todos os minutos meus. Já sei. DIZ-ME!
Não há outra maneira de ir a Marte falar com ela?
Inspirou. Com cara de sábio disse: uma maneira.apenas uma.
E logo corri, corri com todos os minutos de fôlego que tinha nos bolsos das calças, até chegar ao destino.
Sentei-me como se os dois diamantes brutos tivessem colados nos meus olhos. Fingi ter a sua mão na minha. e ... disse tudo o que quis dizer nesse dia : não tens noção.

um 'último' adeus.


