segunda-feira, 21 de abril de 2008

instinto

Há quem não goste de acordar
da maneira que tu me acordas.
Há quem nunca sonhe
acordar com
a palma da tua mão pequenina.

Sempre quis amar
centímetros de gente,
indefesos e meus,
tais como tu.

Acordar só para saber que respiras,
viver só para que vivas ao meu lado,
sonhar para que sejas feliz,
brincar para que nunca percas a tua infância.

Gosto quando,
bruscamente,
apoias a tua cabeça no meu peito
e sinto a tua respiração
ainda irregular
e a coordenas com a minha.
Do prazer de ver-te quando,
exausta, chego a casa.
O teu beijo.
O teu calorzinho.
Ver o teu cabelo crescer...
As tuas pernas ficarem iguais às minhas,
os teus olhos observarem os meus
e a mão...
a mão que sempre trago comigo,
quando com medo,passas a rua...


Quero ver o Mundo pelos teus olhos,
quero ganhar a vida só pelo teu sorriso,
pela vida que dás a estas paredes...


Mesmo que,
durante meses ou anos,
tenha que acordar todas as noites
com o teu choro
só porque queres comer,
só porque queres dormir ao meu lado.


[ saudades ]

sábado, 19 de abril de 2008

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Let's sing a new song

Um dia disseram-me que guardar as lágrimas
era o maior pecado que podia fazer,
que guardar os segredos
seria um peso que não podia aguentar.


Hoje,
as lágrimas tem o calor
do chá nocturno
e fazem impressão
ao tocar a minha pele fria.

Canto alto
para que não oiçam
as lágrimas a secar
e mesmo assim
há um nó demasiado grande
algures na minha garganta
que bloqueia as notas agudas
e dificulta as graves.

Hoje não é um bom dia para cantar aos céus.
Hoje é um bom dia
para deixar o salgado na almofada
ao som de canções de embalar.


terça-feira, 15 de abril de 2008

Conversa a duas cadeiras.

Eram 2 cadeiras verdes, no meio de um pátio iluminado pelo sol. Um rectângulo cinzento com calçada portuguesa nas traseiras de uma faculdade, duas almas sentadas nas tais cadeiras vulgares, desenhadas em larga escala, cantavam ao sol o que o almoço não soube ouvir.



Estivemos quietas.
Caladas.



Levámos o vício aos lábios e fingimos expulsar todo o mal que nos corrói.



Olhei para ela.
Das lágrimas que não vi, deduzi.
Há tanto na nossa história que não podemos controlar...
e hoje, hoje apetecia-me tanto falar...

Quebrámos o gelo.



- Fala-me. Que traz a tua alma que perturba o teu corpo?



- Sabes, às vezes sinto-me só. Sinto que o meu corpo não está aqui, que o jantar fica frio porque não está ninguém ao meu lado, que o meu coração já foi mais apaixonado, que as saudades são terríveis e não morrem à luz de um telefonema, que o tempo ocupado dos meus dias não valem os minutos ditos por vocês... Se há coisa que me seduz, é ver que ao chegar a esta 'coisa',a que chamam de faculdade, alguém me conhece, alguém me ouve, alguém almoça comigo e quando o tempo está bom cá fora e terrível cá dentro, agarramos em 2 cadeiras e não há horas...



- Sabes, a minha vida não é o sorriso que trago. As manhãs já tiveram sabores de fruta, de sol, de chuva, de trabalho... hoje, estão inundadas em sonhos que trago em mim, que deixo na almofada pousada na minha cama, no quarto que dizem meu. Troco os ponteiros do relógio para pensar que ando certa no meu dia e que os outros é que estão mal, tão mal que nem os vejo. Sinto medo de sair de casa, de enfrentar o mundo, dos passos sozinha... Se pudesse chorava e abraçava-me ao meu pai,antes de sair de casa. Pedia para não me deixar ir, para tratar de mim, para que o abraço chega-se até onde quero ir. Queria ser uma criança...queria ser mãe.



-Mãe! Gosto do que a palavra traz. Diz-me se estou mal ou o Mundo está prestes a acabar...? Quero ser mãe a tempo inteiro. Deixar o Mundo e ver a minha filha crescer, vês mal nisso? Serei

anormal? Quero ouvir a primeira palavra ou o primeiro sussurro, quero sentir o primeiro passo como se marcasse a humanidade, quero conhecer o Mundo dela e perceber melhor o meu... Diz-me.. Serei eu? As mulheres de hoje não querem ser assim?



- Não digas asneiras!! Elas não sabem o que dizem. Claro que qualquer mãe quer ver o desenvolvimento do seu filho. Eu própria, quero dedicar-me a tempo inteiro. Quero ouvir o primeiro choro e estar presente no último, quero ver o primeiro sonho a ser realizado, quero estar perceber o brilho nos olhos quando estiver apaixonada, quero cuidar das feridas, deixá-la adormecer no meu ombro para que não tenha medo de sonhos maus, quero que saiba todos os contos de fada que eu soube, quero que acredite que a Lua segue o nosso carro quando formos de férias, quero ter conversas de horas caladas ao lado dela... Achas que alguém não quer? Achas que alguma mãe quer ficar longe de um filho?



- Senti-me mal. Tão mal que preferia ter um pensamento moderno, queria amar mais a minha profissão do que os meus sonhos... Será que a nossa geração não sonha? Deixam-me confusa. Detesto esta gente que tem medo de dizer que ama ou que quer amar, que quer viver cada segundo em função do sorriso de alguém... Mulheres do século XXI são bem piores do que os homens do século XIX...!



- Deixa-te disso. Ainda há gente que sonha. Ainda há gente que ama e acredita no amor.



- Deixa lá que o meu namorado não está nessa percentagem. Às vezes não percebo como é que ele me conquistou, é estranho, eu sei. Ele pensa de maneira tão diferente que chego a ter medo do meu futuro ao lado dele. Ainda me lembro do nosso primeiro fim-de-semana... Havia a incerteza, os beijos a medo, as mãos inseguras, os olhares intensos... Depois, os beijos envolventes, as mãos em jeito de desejo... E o Domingo,o domingo foi o nosso dia mais infeliz, a volta ao Mundo normal, a casa, o medo de o perder, o sabor do último beijo, o andar nas nuvens, o mandar calar a mãe que está chateada, o deitar na cama e lembrar cada segundinho passado ao lado dele... Hello!!! Passados alguns tempos, já não há Domingo nem qualquer outro dia da semana que seja doce ou tenha um sabor sofisticado. Tenho medo de já não o amar...


- Vocês são mesmo muito diferentes,é um facto...mas o amor não vive de igualdade, de momentos de acordo ou de noites escaldantes, tu sabes disso.

- Trato disso quando for tempo. Agora diz-me tu, que se passou? O mesmo?

- O mesmo... Vi-o na Madeira, tive poucas vezes com ele... Queria tanto não gostar dele!!

- Com esse brilho nos olhos? Complicado...!!

- Pois... Eu sei que sim, o problema não são os olhos, esses são fáceis, o problema é esta maquineta. [ aponta para o coração ]



- Falaste com ele?



-Querer...até queria. Falamos pouco e o que falamos...não teve duas gramas do dicionário que queria ter dito. Gostava de olhar para aqueles olhos banhados de chocolate, ver a meiguice que trazem e que sempre vi, dizer que sinto saudades do abraço envolvente, do beijo quente, da mão na minha, dos dois corpos calados, das conversas de horas, das birras, das nossas brincadeiras, das nossas horas sagradas, das noites em que fugiámos para amar cada poro nosso, das estrelas, dos jantares a dois, dos fins-de-semana algures com um pequeno-almoço maravilhoso, do almoço, do vinho que ele gosta, da maneira única de falar daquele ser, do andar, do nariz, de torrar horas ao sol só porque ele adora ser uma lagartixa e não percebe que sou feita de leite e os meus filhos serão transparentes, da família dele à espera de uma frase minha, de pensar que o Mundo ia acabar e a paciência interminável dele, do beijo calmo, de brigar com ele para andar mais devagar na estrada...de amá-lo a todos os segundos...

Acho que nunca o amei assim... Se ele hoje fosse meu, não me reconhecia...Queria tanto estar com ele...!



- Preferia o sorriso parvo à lágrima estúpida...



- Sabes o que é que me irrita?



- Calculo...



- Enerva-me o poder que ele tem, enerva-me vê-lo ao longe e sentir as pernas bambas e o coração aos saltos, enerva-me pensar nele todos os minutos do meu dia, sabendo que ele nem deve pensar em mim no meu dia de anos, enerva-me fazer esta figura parva quando falo nele, enerva-me os planos mirabolantes que trago em mim, as estrelas que têm o seu perfume, os sonhos em que ele é o actor principal, os cigarros durante a noite ao fumo das palavras dele, imaginá-lo a meio de um festival a procurar por mim ( sim, porque eu feita estúpida procuro por ele e gostava que tivesse ali ), irrita-me as insónias, irrita-me as horas a olhar para o telemóvel,irrita-me sorrir, gargalhar e saltar quando sei dele, irrita-me ver alguém parecido com ele, irrita-me a cama em qe dormiámos... as paredes que consumimos, os traços que planeamos...

O pior de tudo isto... é ter a plena noção que se ele me pedisse em casamento, eu dizia que sim e não pensava em mais nada...






Porto, 12 de Abril de 2008

Por : C e V

domingo, 13 de abril de 2008

um fogo intenso,
feito de momentos
e sentimentos vivos.

nasceu e cresceu,
tornou-se incêndio
em larga escala...

passaram-se anos
incapazes
de o derrubar.

Veio o sol,
foi-se o vento...
a chama apagou...

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Smile like you mean it

Deixas-me

no melhor e no pior.


e sabes que mais?

adoro imaginar a tua mão na minha,

o teu respirar perto do meu.


acordar e sentir

a textura do sol

ao bater na cara,

ouvir as crianças

com planos maléficos contra a professora

primária,

achar graça

aos companheiros ressacados

do autocarro,

gostar do espaço escuso

do metro,

apanhar chuva e sorrir...

sorrir...


Brindar a vida

aos teus olhos.

Brindar a vida perto de ti.


Senti o meu corpo

andar e viver cada passo.

sinto as gotas da chuva

como se fossem raios de sol

a queimarem-me a pele exaustivamente,

e ao chegar a casa,

sentar-me no mesmo lugar

em que passo horas e horas

à espera de ser feliz,

de viver um segundo,

sorri.

e as 5 horas sentada

foram impossiveis.


Saltei,

dancei,

arrumei,

sorri...


Feliz.

Hoje estou feliz.

Feliz

e a 'culpa' é tua.


'I'm still in love with you, girl!'



quinta-feira, 3 de abril de 2008

na porta velha

Sentei-me nas traseiras da casa
numa porta quase destruída pelo tempo,
num degrau de pedra fria
que inundava o meu corpo
de sentimentos redondos como as pedras que me faziam companhia.

Deixei que me cantassem ao ouvido
histórias de amor
que nunca mais vou conhecer,
encostei a cabeça na madeira envelhecida
e descansei
sem medo do que podia acontecer
naquele beco escuro
cheio de casa tradicionais
abandonadas ao Douro que contemplo.

Chguei tarde de mais.
As águas
vão lentas...
Queria ouvir a tua voz
ou simplesmente sentir o teu abraço.
Não queria que mudasses de ideias
quanto ao que sentes...
Queria apenas
uma borracha branca
para apagar todos os traços mal desenhados
da minha vida,
da nossa vida.

Há músicas que dizem,
que um grande amor nunca resulta à primeira.
Que 10 anos depois,
a maturidade é outra
e amor vem com mais força,
com ordem para ficar .


A porta já está velha,
é um facto.
Vou ficar quietinha a ver o Rio
sem me mexer muito,
assim daqui a alguns anos
podemos construir uma casa nova,
como sempre sonhaste,
com tudo o que sempre desejaste...


Façam pouco barulho
porque a esta hora da noite
já tenho algum medo
da escuridão desta casa.
Deixem-me caladinha.
Não olhem para mim.
Ainda tenho tanto que esperar...

wrong way

Não vês a minha vida,
nem a imaginas.
Não somos iguais
mas também não somos diferentes.

Aqui os dias que têm 24 horas
de olhos abertos
por vezes fazem-me sorrir e ser feliz.
Chorar a emoção de vários meses
em família
e perceber que
mesmo nos momentos que desconheces,
nos momentos que não têm ligação contigo,
na minha vida cá...
na vida que tu não sabes qual é,
o que é,
onde se transforma e de que sobrevive,
tu estás sempre presente.

Nos melhores momentos
da minha vida longe de ti,
continuas a ser a principal causa do meu sorriso.

I wish you were here with me *