Sentei-me nas traseiras da casa
numa porta quase destruída pelo tempo,
num degrau de pedra fria
que inundava o meu corpo
de sentimentos redondos como as pedras que me faziam companhia.
Deixei que me cantassem ao ouvido
histórias de amor
que nunca mais vou conhecer,
encostei a cabeça na madeira envelhecida
e descansei
sem medo do que podia acontecer
naquele beco escuro
cheio de casa tradicionais
abandonadas ao Douro que contemplo.
Chguei tarde de mais.
As águas
vão lentas...
Queria ouvir a tua voz
ou simplesmente sentir o teu abraço.
Não queria que mudasses de ideias
quanto ao que sentes...
Queria apenas
uma borracha branca
para apagar todos os traços mal desenhados
da minha vida,
da nossa vida.
Há músicas que dizem,
que um grande amor nunca resulta à primeira.
Que 10 anos depois,
a maturidade é outra
e amor vem com mais força,
com ordem para ficar .
A porta já está velha,
é um facto.
Vou ficar quietinha a ver o Rio
sem me mexer muito,
assim daqui a alguns anos
podemos construir uma casa nova,
como sempre sonhaste,
com tudo o que sempre desejaste...
Façam pouco barulho
porque a esta hora da noite
já tenho algum medo
da escuridão desta casa.
Deixem-me caladinha.
Não olhem para mim.
Ainda tenho tanto que esperar...
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