Tive medo, mãe.
Sei que nunca me imaginarias assim,
de coração alterado
com as pernas bambas,
sem o impulso de guerreira que trago sempre ao peito.
Mãe,
o Mundo tremeu.
A força que trazia no corpo
morreu frente à pistola
armada entre os meus dois olhos.
Mãe,
eu senti um arrepio,
o sangue de quente a frio.
Apetecia-me morrer ali.
Inspirei.
Expirei.
Devagar.
Falei com a maior meiguice
que trago na voz
e no coração desarmado
de ti,
dos que amo.
Nenhum está aqui.
Mãe,
porque não estás aqui?
Orgulha-te de mim
como eu orgulho-me de ti.
Falamos devagarinho.
E de mansinho,
a pistola tomou outro caminho
que não o cinzento
dos meus olhos.
O cinzento do chão.
Sem bala,
morri ali.
Sentei-me a cinco metros de casa.
Chorei baixinho
como se não ouvisses.
Mãe.
Preciso tanto do teu colo.
Mãe.
Mãe.
tive tanto medo de te perder.
Amo-te
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