quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Três tiros de amo-te

Tive medo, mãe.
Sei que nunca me imaginarias assim,
de coração alterado
com as pernas bambas,
sem o impulso de guerreira que trago sempre ao peito.

Mãe,
o Mundo tremeu.

A força que trazia no corpo
morreu frente à pistola
armada entre os meus dois olhos.

Mãe,
eu senti um arrepio,
o sangue de quente a frio.

Apetecia-me morrer ali.

Inspirei.
Expirei.
Devagar.

Falei com a maior meiguice
que trago na voz
e no coração desarmado
de ti,
dos que amo.
Nenhum está aqui.

Mãe,
porque não estás aqui?

Orgulha-te de mim
como eu orgulho-me de ti.

Falamos devagarinho.
E de mansinho,
a pistola tomou outro caminho
que não o cinzento
dos meus olhos.
O cinzento do chão.

Sem bala,
morri ali.

Sentei-me a cinco metros de casa.
Chorei baixinho
como se não ouvisses.

Mãe.
Preciso tanto do teu colo.
Mãe.
Mãe.
tive tanto medo de te perder.

Amo-te

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