sexta-feira, 21 de novembro de 2008

pequeno-almoço a horas de amar

acordei com a sensação que o sol estaria, de pedra e cal, teimosamente à espera do meu primeiro olhar. Aquela sensação, 'só mais 5 minutos' premidos às cegas, o virar para o outro lado e afagar com toda a ternura do Mundo a almofada.

queria esquecer-me que sei andar, falar e pensar. o colchão é confortável, a almofada já tem o contorno do meu pescoço, o cobertor já tem a medida exacta para me cobrir a cara em dias de inverno.
podia,fechar outra vez os olhos, e sonhar. sonhar com tudo o que ambiciono, ouvir palavras em tons nunca ouvidos, cruzar olhares que trazem almas e arredores de ventrículos.

Deixo-me ficar na cama.
O dia traz um gosto a sal, a maresia. E com a maresia, um pequeno trago a fruta fresca, corpos beijados e sonhos em saltos nunca vistos.

Ergo a sobrancelha,estico os ossos e preparo os músculos. São horas.
sento-me na cama e sinto os pensamentos a colidir. Há sempre algo que faz-me sair do quente e continuar a sonhar. Aquele pequeno-almoço.

A casa estava isenta de barulho. O cheiro, o cheiro do café acabado de fazer, aquele cheiro que acaricia-nos a alma de memórias sorridentes do começo de dia maravilhosos, de dias tristes, de dias e noites que nos tornam nós. Os tentáculos do sol alaranjado pintavam a sala, onde num leve sussurro com a voz do Tom Jobim percebemos o significado de paz.

Sentei-me sem demoras. Tomei o café exageradamente açucarado contemplando o mar, o cheiro, o calor,o verde, aquela eterna paisagem.

Saí de casa, preparada para mudar o tom de pele, sentir o sal no corpo e em dito de aventura mergulhar de todas as alturas.

Cheguei. Deitei-me e sonhei a olhar para o céu azul, com alguém, com um beijo, com um abraço, com borboletas que fazem cócegas e arrepios que atravessam o corpo, com o amor. Amar. Queria olhar nos olhos e perceber que ali perdera todas as defesas, todas as incertezas.

Ouvi-te chegar. Aconteceu, eu não estava à tua espera, nem muito menos, sabia quem tu eras.
Olhei-te e não soube direccionar os pensamentos, construir sentimentos, palavras, que palavras? Não sei.
O confuso. O inesperado.

Lembro-me de olhar-te nos olhos e ver a tua alma pura, os teus sentimentos brutos, o teu coração desabitado.

Respirei fundo e ao Mundo, num suspiro, lancei átomos de quem ama pela primeira vez.

Vejo-te na mesma posição, sou capaz de descrever todos os pormenores do teu corpo, da tua essência, e a ferro quente tatuado no meu coração ficaram três intensas palavras.

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