é estranhamente penetrante a sensação que nos confunde, que difunde dois sentimentos, o quer e não saber-como.
vejo-te a muitos passos dos meus, sei que há uma linha transparente que liga o teu coração ao que é certo, vejo-te tão bem,oh linha.
sinto faíscas, leves e curtas trovoadas,terramotos e tudo o que faria o Mundo desabar, numa pequena linha quase invisível, uma vez coração, outra vez, o que diz 'não'.
senta-se a centímetros da minha epiderme o que diz ser certo e chora, num ruído mais-que-piano, as emoções que arrepiam a medula espinal e, em jeito de paralisia, se apoderam dos lábios rasgados de parvoíce.
não brincamos mais. o coração contraiu o ventrículo esquerdo. o tal ventrículo esquerdo. aquele que, para além de ser 'coração', é o lado que ama, o lado que chora, o lado que derrete e congela.
o amor,nasce e não morre, no ventrículo esquerdo.
sai o sangue limpo, cheio de vida. sonha por entre os passos distraídos, distribui tudo o que tem de bom aos que trazem a cara já cansada de noites a plena luz, é feliz.
e pouco tempo depois, está quase nú, esfarrapado por pequenos picos, esqueceu o sonho que o fez sorrir logo de manhã, tem apenas uma espécie de inquietude, de conflito dentro de si.
o amor esquerdo é assim. sai feliz, pode voltar triste, mas o que importa é que passados segundos faz as pazes.


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