segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

a gota salgada conquista o céu

Deixa-me respirar, pela última vez, o nevoeiro que paira aqui,
rasgar-me os lábios enquanto o frio se instala em mim.
Deixa-me guardar imagens com medo de te perder
nas vãs ruas que chamas tuas. Escrever o nome
nas pedras da calçada que piso, uma última vez.
Deixa-me navegar os últimos dias à mercês
do que disseram-me ser teu,
quero ouvir dizer que gostas dos sorrisos que são meus.
Parto sem noção de ir.
Quero conquistar o céu. Deixa-me incendiar o que não quero
abandonar,
numa ida sem volta, o céu vou conquistar.
O céu será meu.
Uma lágrima reinará nos céus
algures no reflexo do meu oceano,
levemente saberei sorrir
ao pressentir um novo ano.
Quando conquistar o céu...
não saberei como ir nem como voltar.
O subtil adeus saberá como regressar
algures numa saudade ansiosa de choro,
partir sorrindo discretamente sabendo que morro.
O céu será meu
explodindo o coração que dizem intacto,
meu, ao saber dissolver laços dados e re-dados
na garganta ao dizer adeus.
Meu, ao calor da última e única lágrima
ao avistar algo imenso com ele.
Meu.
Parto sem saber como ir,
na ansia de chegar a onde nunca quero partir.

O céu será meu, quando chegar
e souber partir,
aos lugares que quero conquistar
sempre a saber como me despedir.



1 comentário:

Anónimo disse...

belo luar.
abraços d´ASSIMETRIA DO PERFEITO